Sete de Setembro será a última oportunidade de avacalhar o adversário antes das eleições

Desta vez, ninguém vai fazer discurso bonitinho pela pátria, já que esta é uma boa data para esculhambar com tudo sem medir as consequências

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 28/07/2022 12h57
NELSON ALMEIDA / AFP - EVARISTO SA / AFP Bolsonaro e Lula Bolsonaro e Lula lideram as pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República nas eleições 2022

Você tem ideia de como será o Sete de Setembro este ano? Parece que está tudo calmo, mas só parece. Os correligionários, especialmente Luiz Inácio da Silva e do presidente Jair Bolsonaro, costumam perder o juízo nesse dia. Pronunciamentos ásperos e um comportamento deplorável são coisas que se tornaram comuns no Sete de Setembro, dia em que o Brasil conquistou sua independência, de acordo com os livros da história oficial. Qual será o comportamento de Luiz Inácio da Silva e do presidente Jair Bolsonaro, os dois que polarizam a disputa pela Presidência da República? No ano passado foi aquela várzea. Parecia o inicio da guerra civil brasileira que está por acontecer. Basta esperar. O Sete de Setembro é sempre uma boa data para esculhambar com tudo sem medir as consequências. Certamente a data inflama o “patriotismo” dessa gente. Principalmente daqueles candidatos ao reinado com maior chance de colocar a coroa na cabeça.

Do lado do presidente Bolsonaro, são certas as informações passadas a este colunista de que a data será usada como palanque à reeleição. O próprio Bolsonaro já admitiu que isso é lógico porque grande parte dos eleitores poderá demonstrar seu apoio a um candidato. De leve, diz que o outro lado não consegue juntar povo nenhum em qualquer lugar do Brasil. Mas neste ano será diferente, porque a data comemora o bicentenário da independência do Brasil e ocorrerá a menos de um mês do primeiro turno das eleições. Neste ano os desfiles militares estarão de volta, depois da pandemia. Esse fato vai atrair mais gente para a comemoração. Bolsonaro tem dito aos auxiliares mais próximos, aqueles que ainda merecem confiança, que o Sete de Setembro não será só festejos, haverá manifestações políticas também, com concentrações especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e várias outras capitais. Algumas lideranças dizem que os atos serão pacíficos, mas outras asseguram que a data será comemorada com tumulto no que diz respeito à questão política.

Já no lado de Lula o pensamento é outro. Alguns dos assessores do ex-presidente informaram a este colunista que Lula não deseja briga com ninguém, especialmente no chamado Dia da Pátria. Observaram que Luiz Inácio quer ficar distante de qualquer confusão que Bolsonaro queira promover. Lula deseja que seus eleitores festejem o Dia da Independência no dia 10. Será um Sete de Setembro 3 dias depois. De acordo com Lula, que só fala com raiva e gritando, o objetivo é evitar qualquer provocação dos bolsonaristas. Luiz Inácio acha que Bolsonaro vai aproveitar a data para aprofundar ainda mais as radicalizações. Para Lula, Bolsonaro aproveitará os festejos para desacreditar ainda mais o processo eleitoral brasileiro. Luiz Inácio da Silva afirma que deseja, sim, um ato com a participação dos eleitores, intelectuais, artistas, mas tudo dentro da ordem.

Será? Você acredita nisso? O Sete de Setembro desta vez será a última oportunidade de avacalhar o adversário antes das eleições. E quem vai perder essa oportunidade? Os dois candidatos à frente nas pesquisas de intenção de votos  parecem dois patriotas dos mais respeitados no país. Mas não é assim. Longe disso. O Sete de Setembro deste ano promete muito. Ninguém vai fazer discurso bonitinho pela pátria. Muita manifestação está sendo organizada dos dois lados. A ordem é torcer para que as duas turbas não se encontrem em lugar nenhum.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.