Só no Brasil alguém que compara Merkel ao ditador Daniel Ortega tem chance de voltar à Presidência

Está até correto que Lula diga tais barbaridades: ele traiu a própria vida e uma pregação de mais de 20 anos para entrar nos grandes esquemas de corrupção

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 24/11/2021 14h53
Pedro Mox/IShoot/Estadão Conteúdo- 19/11/2021 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de fórum na cidade de Madri, na Espanha

É mesmo desanimador olhar este cenário brasileiro, em que habitam os grandes abutres, sempre dispostos a fazer do país um negócio qualquer. Basta ver o comportamento, por exemplo, dos candidatos à Presidência da República. Quase todos – quase – são velhas raposas acostumadas a esse mundo sórdido que criaram para si mesmas. Vamos a um exemplo, um só, para não cansar a paciência do leitor: chegam a ser inacreditáveis, mesmo partindo de salafrários, determinados discursos e conversas que este país, se tivesse alguma memória, mesmo a mais recente, não esqueceria com tanta facilidade. O que Luiz Inácio da Silva anda falando por aí é uma afronta ao cidadão de bem e não acostumado com ladroagens. São palavras de uma inconsequência que só os grandes ignorantes têm o direito de pronunciar.

Sendo assim, está até correto que Luiz Inácio diga tais barbaridades que chegam ao absurdo. Será necessário sempre voltar a assuntos assim, para lembrar o caráter de figuras que já demonstraram o que de fato são. Falando ao jornal espanhol “El País”, na segunda-feira, 22, Inácio comparou a “reeleição” do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, com o tempo de poder de Angela Merkel na Alemanha. Se ela pode ficar 16 anos no poder, por que Ortega não pode?,  perguntou o petista às duas jornalistas que o entrevistavam e que se mostravam incrédulas com o que ouviam. Luiz Inácio sabia da repercussão que isso teria no Brasil e deve pensar que está falando para uma nação de imbecis, de grandes idiotas que nada sabem da vida. Não é possível.

Está certo que isso faz parte da arrogância de Luiz Inácio, o traidor de si mesmo, aquele que, no poder, apunhalou a própria vida e uma pregação de mais de 20 anos para entrar nos grandes esquemas de corrupção do Brasil. E entrou para valer. A corrupção o levou para a prisão. Mas conseguiu sair da cela por uma manobra indecente do Supremo Tribunal Federal. Livre, é candidato à Presidência da República. E o povo, esse mesmo povo enganado em tudo, dá a ele o primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto. Pu** que pariu, não dá para acreditar num país assim. O Brasil, no fundo, se resume nesse pensamento simplista, cínico e mentiroso, como o de Luiz Inácio da Silva. Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder, por que Daniel não pode? Então, uma das jornalistas lembrou que Merkel permaneceu 16 anos no poder na Alemanha e foi eleita democraticamente pelo voto. Foi um desejo da Alemanha. Tanto que ela se tornou uma líder mundial. Já Daniel Ortega, nesta nova “eleição” na Nicarágua, mandou prender sete de seus adversários candidatos. Significa que ele acabou sendo o único e teve – vejam bem – quase 80% dos votos. Alguém acredita nisso? Sinceramente, alguém pode acreditar numa história dessa?

Com absoluta desfaçatez, Luiz Inácio diz que não sabe o que houve na Nicarágua, o que obrigou Daniel Ortega a prender seus adversários. A “eleição” de Ortega foi rejeitada por praticamente todos os governos das principais democracias ocidentais, menos pelo PT, aquele partido que pregou a ética e a luta contra a corrupção por mais de 20 anos. No entanto, quando se viu no poder, transformou-se numa quadrilha organizada que começou a mostrar a que veio no mensalão e terminou – se é que terminou – no assalto à Petrobras, que se transformou num dos maiores escândalos do mundo em todos os tempos. Nunca se roubou tanto.

Uma nota do PT classificou a “vitória” de Ortega como “uma grande manifestação popular e democrática”. Precisa ter muita coragem para falar assim de um ditador, como, aliás, faz em relação a Nicolás Maduro, na Venezuela. Ou Cuba. E sempre utilizando a palavra “democracia”, como Luiz Inácio. Os que ainda conseguem pensar, o que está difícil, sentem vergonha. Muita vergonha. São seres baixos, que não se tocam sobre a própria estupidez. E é lamentável que um sujeito como Lula pode vir a ser novamente presidente deste país. A viagem que fez à Europa já demonstrou a prepotência, falando sempre para plateias favoráveis, com muitos aplausos. No final, tudo se resume numa constatação constrangedora e sem volta para o Brasil. Falta vergonha na cara.    

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.