Cariocagens e paulistagens: Passear de chinelo ou de bolsa de grife?

Sempre fui uma carioca em São Paulo e uma paulistana no Rio: eu peço biscoito e ganho uma bolacha; eu falo cara e ouço meu; eu pego uma ‘night’ e volto da balada

  • Por Bia Garbato
  • 18/10/2021 15h04 - Atualizado em 18/10/2021 15h43
Montagem sobre fotos: Estadão ConteúdoSe no Rio de Janeiro as pessoas saem à ruas com seus chilenos, sem cerimônia, em São Paulo predominam as roupas de grife

Nasci no Rio e fui morar em São Paulo. É um clássico: sempre fui uma carioca em São Paulo e uma paulistana no Rio. Apesar de morar em São Paulo, com uma mãe carioca, eu fui alfabetizada em carioquês. Eu falo “maneiro” em São Paulo. Me zoam. Eu falo “animal” no Rio. Me zoam mais. Eu falo tangerina e como uma mexerica. Eu falo colégio e pego meu filho na escola. Eu peço biscoito e ganho uma bolacha. Eu falo cara e ouço meu. Eu pego uma “night” e volto da balada. Abre o sinal, eu atravesso o farol. Boto um short e saio de shorts. Peço um sanduíche e vem um lanche. Encho uma bola e vira uma bexiga. E vice-versa.

Eu coloco ketchup na pizza. Meu marido, descendente de italiano, quase morre. Na minha casa nunca teve macarronada da mama. Mas tinha mate para matar a sede. Vivo entre o feijão preto e o feijão marrom. Ainda bem que eu gosto dos dois. No Rio, sempre dou um beijinho e deixo a pessoa no vácuo. Volto para São Paulo, sapeco dois beijinhos e fico no vácuo. Vou ao shopping no Rio, e predominam as havaianas. Em São Paulo, só dá bolsa de grife. Nunca sei se canto “é pique, é pique, é pique” ou “é big, é big, é big”. Dirigir em São Paulo é pegar trânsito na marginal. Dirigir no Rio é um verdadeiro caos! Vista para os paulistanos é pôr do sol entre um mar de prédios. Para os cariocas não é vista se não tem um mar de verdade. No Rio, me chamam Beatriz. Em São Paulo, me chamam Bia. A verdade é que eu sou paulistana e carioca. Por isso tenho o privilégio de entendeeer o que não estou enteindeindo.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.