A chapa Lula-Alckmin e a lavagem generalizada dos crimes da esquerda

O caminho para a volta do petista ao poder passa pela disposição em fingir que o Partido dos Trabalhadores não organizou maior esquema de corrupção da história política brasileira

  • Por Bruna Torlay
  • 19/11/2021 10h00
Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo - 08/10/2021 Após ter condenações anuladas, Lula poderá disputar as eleições de 2022

Como se sabe, Lula liderou o maior esquema de corrupção da história política brasileira. Mas, segundo ele próprio, é inocente. A culpa real estava nas ambições políticas do então juiz que o condenou. Para quê falar das instâncias que confirmaram a sentença? Bobagem! Se lavar dinheiro é uma arte a que o cabeça do Partido dos Trabalhadores, dizem as denúncias, recorreu, lavar crimes é uma arte que ele próprio pratica ao lado de inúmeros aliados, em especial os alocados nas principais redações do país. Pessoas que ainda sabem a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado, o crime e a inocência se espantam com a facilidade com que muitos jornalistas elogiam a candidatura de Lula ao Planalto em 2022. Recomendar o voto num ex-condenado seria uma forma de cumplicidade? Fica a pergunta. Nesse caso, seria longa a lista de cúmplices abrangendo jornalistas e intelectuais. Gente com voz e cadeira reservada no dito debate público. Gente que considera aceitável um partido político, em nome dos “ideais sociais” (foi isso mesmo? ah… claro), desviar bilhões do tesouro nacional, dinheiro pertencente ao conjunto de indivíduos convivendo no território chamado Brasil. Faz todo o sentido: desviar bilhões dos pobres para garantir que nenhum outro partido tenha a chance de não destinar aos pobres aquilo que lhe é de direito. 

Lembro de ter perguntado a um amigo, então professor universitário, por volta de 2012, por que tantos de seus colegas apoiavam com unhas e dentes o governo Dilma, caracterizado por uma série de flertes com o totalitarismo. Disse ele que a ampliação das universidades federais desencadeara não apenas um sem número de vagas a mestres e doutores recém-formados, como também obrigara o governo do Estado de São Paulo a elevar os salários para não perder seus quadros para as federais. Eu fazia uma pergunta evocando o fantasma horripilante da subversão das liberdades. Na réplica, percebi que tudo o que estava em jogo era a conquista ou manutenção de renda, salário, emprego. Bem o jargão do velho Alckmin: “emprego e renda”. Na célebre, embora pouco repercutida no meio jornalístico e universitário brasileiro (mais apegada a nomes óbvios e frases feitas), obra “Propriedade e Liberdade”, Richard Pipes demonstra como, ao longo da história, foi plenamente possível se ter propriedade num ambiente político carente de liberdade; enquanto foi reiteradamente impossível haver liberdade num ambiente político contrário à propriedade privada – isto é, de índole socialista. O breve diálogo tido no atravessar de uma rua do campus em 2012 repercutiu em minha memória quando encontrei, mais à frente na vida, essa tese de Pipes…

Jornalistas e intelectuais sem apreço por liberdade, embora apegados aos confortos associados à propriedade (ou sua particular riqueza), não hesitam em lavar crimes, sobretudo aqueles contra as liberdades individuais, em nome da promessa de gordos orçamentos que lhes proporcionem conforto. E a tradição igualitarista (matriz de todo esquerdismo de ontem e hoje) é pródiga em rasgar ao meio, na guilhotina ou na canetada, as liberdades individuais. O probleminha colateral, contudo, é que a tal da liberdade é pressuposto para a dignidade humana. Na prática, defender partidos ou regimes em troca de benefícios materiais é um rebaixamento da dignidade humana. Embora esteja na moda, vejam só, dizer que reverência religiosa ou sacerdócio sejam “coisas de obscurantistas”, não foi à toa que algumas ordens preconizaram o voto de pobreza: a renúncia à riqueza é um gesto supremo de liberdade. A amizade, laço nascido não do interesse, mas do amor ao próximo, é outro sinal dessa coisa luminosa a que chamamos liberdade. E o amor à liberdade, por sua vez, tem sido o maior dos antídotos contra a implementação da tirania. Mas nada disso integra a matemática dos aliados de Lula. Verba publicitária; abertura de concursos; distribuição seletiva da verba pública; confisco disfarçado da riqueza individual em prol do enriquecimento indolente de uma casta auto-ungida; tudo isso são variáveis mais interessantes que essas pequenezas espirituais. Coisas, aliás, típicas de mentes obscurantistas, não é mesmo? Não é que se lave os crimes da esquerda porque sua volta seria mais rentável. É do amor ao povo que se trata. Ah! Mas claro… 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.