Diferença entre vingança e justiça: é errado querer o mal de alguém que só faz o mal?

Vingança pode funcionar a curto prazo para aliviar sentimentos como raiva e frustração, mas é preferível deixar que a justiça se encarregue da condução do problema

  • Por Camila Magalhães
  • 11/11/2021 09h00
wayhomestudio - br.freepik.comPessoas vingativas sentem-se ofendidas com extrema facilidade e passam mais tempo remoendo mágoas

A violência está cada vez mais presente em nosso cotidiano e isso nos faz refletir sobre a humanidade das pessoas. Por outro lado, em situações catastróficas, é comum que aconteçam mobilizações para ajudar as vítimas. Qual é a sua reação quando você presencia alguma injustiça? Tanto a agressividade quanto a solidariedade são aspectos que fazem parte do comportamento humano. A sensibilidade à justiça é um traço que faz parte da nossa personalidade desde que nascemos. Mas a noção de justiça é moldada em cada pessoa de acordo com suas experiências.

Quando sofremos uma injustiça, vemos a situação a partir da perspectiva da vítima, o que nos deixa mais defensivos, com raiva ou medo. Quando a vítima é outra pessoa, isso pode nos despertar indignação. Mas, também, quando é o nosso comportamento que prejudica alguém, isso pode nos gerar culpa. Todos esses estados emocionais – e como lidamos com eles – influenciam a forma como a gente vai reagir a uma determinada situação. Pessoas vingativas, por exemplo, sentem-se ofendidas com extrema facilidade e passam mais tempo remoendo mágoas e sentimentos negativos. 

A reação agressiva, na verdade, vem da dificuldade para lidar com as frustrações. A vingança, nesse sentido, tem a função de fazer a pessoa se sentir melhor ao ver o outro sofrendo tanto – ou mais – do que ela. Mas será que isso funciona? Do ponto de vista da regulação emocional, a vingança pode funcionar a curto prazo para aliviar sentimentos como raiva e frustração. Isso porque ela dá a sensação de igualar o placar. Entretanto, não acrescenta nada, uma vez que a pessoa dificilmente vai aprender a conviver com seus sentimentos negativos.

As pessoas vingativas tendem a superestimar o próprio sofrimento e, com isso, são grandes as chances de que as consequências das suas atitudes saiam do controle. É aí que está a principal diferença entre a vingança e a justiça. Embora a justiça também tenha uma função reparadora, ela garante que as pessoas sejam julgadas e punidas por critérios imparciais e proporcionais. Isso não significa que sentir raiva das pessoas que fazem mal aos outros é algo errado ou que deva ser reprimido. Pelo contrário: você tem todo direito de se sentir assim, mas deve evitar tomar atitudes de cabeça quente e sempre preferir que a justiça se encarregue da condução do problema. Tem algum comentário ou quer sugerir um tema? Escreva para mim: @dra.camilamagalhaes.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.