Saiba como a alimentação pode influenciar no humor e na saúde mental

Desequilíbrios no sistema gastrointestinal desencadeam reações inflamatórias e respostas autoimunes, aumentando o risco de depressão, ansiedade e acidentes vasculares

  • Por Camila Magalhães
  • 20/01/2022 09h00
Sharon Pittaway/Unsplash Vegetais, legumes e frutas sobre uma mesa preta Dieta rica em fibras e verduras é fundamental para o bem-estar psicológico

Não é de hoje que nós, profissionais de saúde, alertamos a população sobre os riscos da má alimentação para a saúde. Hipertensão e doenças cardiovasculares são algumas das complicações ligadas a uma dieta rica em sal, por exemplo. Mas, caso você ainda não esteja convencido a mudar seus hábitos alimentares, pesquisas têm mostrado que o que você come pode ter mais impacto no seu cérebro do que imagina. No mundo todo, cientistas estudam a associação entre as bactérias que habitam o intestino a transtornos mentais e neurológicos. A flora intestinal é formada por microorganismos fundamentais para o bom funcionamento do corpo. De acordo com as novas descobertas, desequilíbrios no sistema gastrointestinal podem desencadear reações inflamatórias e respostas autoimunes danosas ao sistema nervoso central, aumentando o risco de transtornos como a depressão, a ansiedade, acidentes vasculares, além de doenças autoimunes das quais já falei anteriormente.

Sabe-se que uma complexa rede de neurônios, conhecida como sistema nervoso entérico, conecta o sistema digestivo ao sistema nervoso central. Além de ajudar o cérebro a monitorar o processo de digestão, esse circuito também permite que o intestino envie informações diretamente ao cérebro. Isso significa que o funcionamento intestinal pode influenciar nosso humor e a forma como nos comportamos. Por exemplo, evidências científicas recentes mostraram que os microorganismos da flora intestinal podem alterar os níveis de serotonina, um mensageiro químico que regula o humor. Outro estudo recente sugeriu que sinais imunes emitidos pelo intestino podem comprometer os vasos sanguíneos do cérebro, alterando o desempenho cognitivo, que nada mais é do que a memória, o pensamento, a atenção. 

Esse pode ser mais um bom motivo para cuidar da alimentação! Uma dieta rica em fibras e verduras, além dos inúmeros benefícios para a saúde, também é fundamental para o bem-estar psicológico. Alimentos fermentados, como iogurtes, ajudam a manter o equilíbrio intestinal, mas atualmente têm sido indicados para melhorar o humor de pacientes deprimidos. Por outro lado, alimentos ricos em gordura animal e sódio, além de desequilibrarem a flora intestinal, podem desencadear inflamações que aumentam não só o risco de doenças cardiovasculares e câncer, mas também de sintomas de depressão, como fadiga e desânimo. Na correria do mundo atual, as pessoas ficam menos atentas à alimentação, e isso tem contribuído para o prejuízo da saúde mental. A literatura aponta para ganhos na prevenção de depressão com:

  • Os padrões dietéticos tradicionais da dieta mediterrânea, escandinava e japonesa; 
  • Aumento do consumo de frutas, vegetais, legumes, cereais, sementes e castanhas;
  • Inclusão de alimentos ricos em Ômega 3;
  • Limite no consumo de alimentos processados, fast foods e doces.

Por fim, é importantíssimo também que você invista na sua hidratação. Tem alguma dúvida ou quer sugerir um tema? Escreva para mim no Instagram @dra.camilamagalhaes.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.