Denise: Sinalização do Copom aponta juros real em 1% para fim de 2019

  • Por Jovem Pan
  • 20/09/2019 11h00
PixabayO Comité, no comunicado que veio junto com a decisão sobre juros, falou sobre estímulos adicionais diante das projeções de inflação bem abaixo da meta

O dólar disparou nesta quinta-feira (19), passou dos R$ 4,16. A pressão vem da véspera da reunião do Copom, não da decisão de cortar a taxa básica em mais de 0,5 ponto – o que era mais do que esperado – mas da sinalização de que o corte pode ir além do previsto, talvez com a Selic fechando esse ano em torno de 4,5%. Até agora o mercado contava com 5%.

O Comité, no comunicado que veio junto com a decisão sobre juros, falou sobre estímulos adicionais diante das projeções de inflação bem abaixo da meta.

Para este ano, considerando o dólar em R$ 4,10, o BC conta com o IPCA em 3,4%. A inflação está muito baixa mesmo, mas as incertezas principalmente no cenário internacional, podem trazer pressões a mais sobre o dólar com repercussão na inflação.

Vale lembrar que o dólar já tinha mudado de patamar no mês de agosto, quando ultrapassou a barreira dos R$ 4 e, diante disso, o BC retomou a venda moeda – o que não acontecia há muito tempo.

Incertezas como guerra comercial entre China e Estados Unidos, Brexit, Argentina e desaceleração da economia global têm potencial de provocar movimentos de aversão ao risco, desviando recursos para portos mais seguros.

O Brasil já tem dificuldades e incertezas domésticas que deixa o investidor sempre mais cauteloso. Nem a reforma da Previdência está concluída. Ainda falta assegurar um ajuste fiscal mais amplo, avançar com a reforma tributária, com privatizações, concessões e medidas que possam garantir maior crescimento da economia.

Pela sinalização dada pelo Copom, a margem real de juros pode ficar ao redor de 1% no final desse ano. Vai ser um teste de atratividades. Juros menores são sempre positivos no ponto de vista de atividade, podem ajudar na retomada.

O mercado está se ajustando a essa nova perspectiva com alguma cautela. Aí o avanço forte do dólar.