Denise: Cenário está favorável para estímulos na atividade econômica 

  • Por Jovem Pan
  • 24/09/2019 09h40
ReproduçãoO Copom divulgou na manhã desta terça-feira (24) a ata da reunião da última semana

O Copom divulgou na manhã desta terça-feira (24) a ata da reunião da última semana, quando foi decidido o corte de 0,5 ponto percentual e taxa Selic de 5,5%. Vale lembrar que a reação posterior do mercado foi meio negativa, em cautela, já que o Banco Central sinalizou em um comunicado rápido, que saiu junto com a decisão, a possibilidade de mais cortes nos juros.

A ata detalha um pouco mais a avaliação do cenário que está sendo feita pelo BC. Em relação ao comportamento da inflação, tudo muito tranquilo. A ata cita as próprias projeções do mercado financeiro, que são de inflação de 3,5% esse ano e 3,8% no ano que vem. E as previsões são de longo prazo: 3,75% em 2021 e 3,5% em 2022. Analistas de mercado, de bancos, consultorias e do próprio Banco Central não contam com a possibilidade de pressões adicionais nesse comportamento de inflação – pelo menos dadas as condições atuais na conjuntura internacional e domestica.

O BC coloca, inclusive, que o nível de ociosidade da economia é um dos fatores que leva a essa condição de bom comportamento da inflação. E o mais curioso, que já chamou a atenção na semana passada, é que ele avalia o cenário internacional como benigno para os países emergentes, entre eles o Brasil.

O cenário em que os bancos centrais estão tentando estimular a atividade econômica através das reduções dos juros e que também há uma questão de bom comportamento da inflação internacional dando respaldo para essas decisões é uma realidade. Porém, falar que é benigno chama a atenção. A gente já viu em agosto o dólar mudar de patamar justamente por questões externas.

Preocupações com relação à guerra comercial, perspectivas de desaceleração global, riscos da economia americana, queda de atividade na Europa. A industria da Alemanha divulgou na última segunda-feira (23) dados muito ruins. Esse é um ambiente que tem produzido muita volatilidade no mercado e pressões sobre o dólar. Tivemos a questão da Arábia Saudita fazendo subir o preço do petróleo – outro fator que pode influenciar a inflação.

Mas o Banco Central avalia como benigno. E coloca, entre os riscos, a possibilidade de alguma interrupção nesse processo de ajustes das contas publicas aqui no Brasil, de encaminhamento das reformas. Essa é uma preocupação presente do BC, que inclusive conta com esse ajuste para reduzir o risco pais e viabilizar mais reduções nos juros básicos.

Se a inflação continuar bem comportada – e não tivermos nenhum fator pressionando mais o mercado e as condições de evolução futura da inflação – a tendência é de mas cortes dos juros com essa possibilidade não colocada pelo BC, de chegar a taxa Selic no final ano em 4,5%.

O Banco Central fala da necessidade de estímulos à atividade econômica porque o cenário é favorável a isso.