Alegria de pobre dura pouco: Brasil festejou importações da China, mas gigante deve dar passo para trás

Além de a pandemia voltar a preocupar, Banco Central chinês alarma mercado com recomendações de aperto fiscal; contratação da segunda maior potência econômica pode afetar emergentes

  • Por Fernanda Consorte
  • 13/04/2021 15h33
Wu Hong/EFEPandemia da Covid-19 voltou a avançar na China, e isso deve impactar a economia do país

A China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhão de habitantes. Não só isso, é a segunda maior potência econômica, só atrás dos Estados Unidos. E quando esse gigante se mexe, anda ou caí, ressoa em todo o mundo, sobretudo no mundo emergente. Nesta madrugada foram divulgados os dados de balança comercial chinesa referentes a março. O país teve superávit comercial de US$ 13,8 bilhões, resultado aquém das expectativas de economistas, que previam saldo positivo de cerca de US$ 50 bilhões no mês. Isso deveu-se às exportações, que tiveram alta de 30,6% em relação a 2020, também abaixo das previsões de economistas. Mais importante foi o crescimento de 38,1% das importações em março, ante igual período do ano passado, acima da expectativa do mercado. 

Um forte aumento das importações desse gigante anuncia que a atividade interna está demandando e que os emergentes, como o Brasil, principais fontes de recursos para a China, devem ter motivos para comemorar. Esse movimento traria um benefício às moedas emergentes, que sofrem com as altas das taxas de juros longas nos EUAPorém, como diz o ditado popular (que, em geral, são bastante sábios), alegria de pobre (ou de países pobres) dura pouco. Neste último final de semana, aumentaram as preocupações com a pandemia justamente na China, onde começou a doença — mas também onde foi controlada rapidamente. E já estão falando (de novo!) em lockdown em partes deste país-continente. 

Além disso, o PBoC, Banco Central da China, tem alarmado o mercado com recomendações de um aperto fiscal contra pressões inflacionárias. Imaginem o efeito em moedas de países emergentes se começarmos a falar de políticas (monetária e fiscal) contracionistas nas duas maiores potencias do mundo? Essa mensagem não só neutraliza um eventual impacto positivo das fortes importações chinesas sobre as commodities e taxas de câmbio, como aumenta ainda mais a aversão a risco de países emergentes, sobretudo daqueles que já estão na berlinda por falta de controle da pandemia, problemas no governo doméstico e contas fiscais… Lembrou de algum país que se enquadra nesse perfil? Enquanto escrevo essa coluna, a nossa taxa de câmbio está em R$ 5,73. Patamar alto. Acho difícil vermos números muito abaixo disso. Quando envolve China… O peso é ainda maior. Vamos aguardar.