Confira os dados e me responda: Qual a sua opinião sobre a economia do país na pandemia?

Brasil vacinou apenas 33% de sua população, dívida bruta é de cerca de 90% do PIB e inflação chegou a 6,8% nos últimos 12 meses; os números estão aí, tire suas próprias conclusões

  • Por Fernanda Consorte
  • 25/05/2021 08h00
Wallace Martins/Futura Press/Estadão ConteúdoPaulo Guedes é o chefe da equipe econômica do governo federal

Hoje expressarei menos a minha opinião. Vou descrever alguns dados e gostaria que os leitores desta coluna chegassem às suas conclusões. A pandemia, sem dúvida alguma, é um divisor de águas em qualquer análise econômica e social de todos os países do mundo. Comumente, olhamos e nos comparamos como éramos há pouco mais de um ano. Verdade que, economicamente, o Brasil estava longe do ideal, mas agora piorou muito. Como disse anteriormente, deixo essa conclusão para você. Ontem, em uma apresentação, o presidente do Banco Central afirmou que a retomada da economia global continua associada diretamente à evolução da Covid-19 e às medidas de restrição de mobilidade. E sabemos que, por consequência, essas restrições diminuirão conforme a vacinação avance. 

Vivemos atualmente a maior campanha de vacinação da história, em que 21% da população mundial já foi imunizada. Contudo, a discrepância de percentual entre os países está gritante: nos EUA e no Reino Unido, foram aplicadas doses referentes a quase 90% da população. Na União Europeia, esse número cai para 50%, e despenca em países emergentes (33% na Turquia, 27% no Brasil e 20% no México). O calendário incialmente divulgado pelo nosso governo já sofre fortes atrasos. Estamos caminhando a conta-gotas. A pandemia também gerou forte endividamento, no mundo inteiro. Inclusive, nos países desenvolvidos, onde o nível do endividamento público é próximo ao ocorrido no pós-guerra. Um esforço está se revertendo em vacinação em massa e recuperação econômica. Por outro lado, no Brasil, a dívida bruta alcançou cerca de 90% do PIB e, ainda assim, é necessário mais gastos porque não conseguimos controlar a crise. Além disso, temos endividamento maior (em proporção ao PIB) do que a maioria dos países emergentes, só ficamos atrás de Angola. 

Como já disse, essa gastança no fiscal abriu espaço para inflação, que já alcança 6,8% nos últimos 12 meses até abril, bem distante da meta de 3,75%. Hoje também encaramos um novo ciclo de aumento de juros, mesmo com a atividade econômica longe de estar aquecida. Não à toa, a confiança do consumidor segue tímida. Em dados exibidos pelo Banco Central do Brasil na mesma apresentação acima mencionada, vemos que os consumidores que têm renda de até R$ 4,5 mil por mês não estão nem um pouco confiantes com a economia. Observamos que ela recuou nestes últimos meses e está mais de 20% abaixo dos patamares pré-crise. Agora, me conta: qual sua opinião sobre o cenário econômico brasileiro nesta pandemia? 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.