Mercado dá pequenos sinais de alívio, mas cenário como um todo segue bastante desafiador

Combinação de um cenário externo com baixo crescimento na China e eleições no Brasil em 2022 não sugerem taxas animadoras para os próximos meses

  • Por Fernanda Consorte
  • 24/08/2021 13h39
Marcello Casal Jr/Agência BrasilAprovação definitiva da vacina da Pfizer pela agência reguladora dos EUA anima o mercado

Hoje o mercado dá pequenos sinais de alívio pela aprovação oficial da vacina da Pfizer contra a Covid-19, o que, em tese, pode aumentar a inclinação das pessoas a se vacinarem, e portanto, diminuindo a circulação do vírus. Além disso, há um movimento local, possivelmente pontual, após as declarações de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, em evento do mercado financeiro. Afinal, há muito se sabe que o ‘calcanhar de Aquiles’ da conjuntura econômica está nas contas fiscais, e seu discurso foi conciliador nesse sentido, que fez defesa enfática sobre o teto de gastos e disse que não haverá rompimento da responsabilidade fiscal. Mas não se enganem pela volatilidade do dia a dia, o cenário como um todo segue bastante desafiador. Veja baixo um resumo do que estamos vendo e ouvindo por ai por temas. 

Inflação: há uma preocupação latente pelo aumento de preços já para 2022, uma vez que 2021 já é dado que a inflação será alta. Listamos 3 motivos: 1. Câmbio ainda pressionado 2. Inércia (inflação alta de hoje afeta a de amanhã) e 3. Crise hídrica e consequente aumento no custo da energia elétrica. Fiscal: conforme falado acima, as contas fiscais são nosso ‘calcanhar de Aquiles’ e sempre haverá discussão neste tema até que as coisas entrem no eixo. Percebemos uma voz unânime no mercado de que quadro fiscal, que já é grave, pode piorar ainda mais a partir de eventuais medidas populistas do atual presidente, tentando angariar votos para as eleições do próximo ano. Vamos ficar de olho. 

Atividade econômica: há alguns analistas e economistas que enxergam preocupação com recuperação global. Destacamos a China, que já vem mostrando números de atividade abaixo do esperado. E claro, a China crescendo menos impacta diretamente os países emergentes, que impacta a taxa de câmbio. Para o Brasil, o viés de crescimento é para baixo em 2022. De fato, as estimativas já vêm mostrando revisões para baixo. Há uma leitura de que a economia não terá força para um crescimento mais sustentável a partir do ano que vem. Taxa de câmbio: Em poucas palavras, a despeito do movimento de hoje, não há espaço para apreciação significativa no curto prazo. A combinação de um cenário externo com baixo crescimento (China) e eleições no Brasil em 2022 não sugerem taxas animadoras nos próximos meses. Alguns economistas, e eu estou nesse grupo, acreditam que o mercado ainda não está precificando o tamanho do risco político que temos com as eleições. Fácil, não?