Agronegócio brasileiro pode ser dizimado pelo conflito Rússia x Ucrânia

O Congresso Nacional precisa, urgentemente, debater e aprovar o Projeto de Lei 191/2020 que permite a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas

  • Por Jorge Serrão
  • 02/03/2022 14h52
Pixabay Caminhão (só a parte com a roda traseira esquerda aparece na foto) despeja fertilizante no campo Embaixador da Bielorrússia afirmou que seu país suspendeu a venda de fertilizantes ao Brasil

A pauta (midiática) é guerra. O mundo assiste e se envolve no conflito entre o Eurasianismo Russo-Chinês Neosocialista versus o Globalismo progressista metacapitalista. Na verdade, é a guerra (fria ou quente) pela hegemonia entre a visão e prática da Economia Planificada (cujos expoentes são a China e a Rússia) versus a Economia de Mercado (Estados Unidos e países desenvolvidos da Europa). Nem demorou para ficar evidente a consequência dessa escalada russa. Acelerou-se uma corrida armamentista que, nos próximos anos, atingirá grandes proporções. Curioso é que a humanidade já tinha vivenciado a véspera do caos, com prejuízos materiais e psicológicos para os seres humanos. No pandemônio do covidão, com milhões de vidas perdidas, quem lucrou foi a indústria farmacêutica. Agora, no terror mortal da guerra, será a vez da indústria armamentista faturar (ainda mais). Dinheiro Acima de Tudo. Deus (acima de todos) que nos proteja.

Como essa “ação militar especial” (ops, invasão russa à Ucrânia) afeta o Brasil? O primeiro problema, de cara, mexe com nosso agronegócio e a segurança alimentar. Confira a notícia alarmista (porém, realista): “O embaixador da Bielorrússia, Sergey Lukashevich, disse que seu país foi obrigado a suspender a venda de fertilizantes para o Brasil, porque o escoamento do produto ficou impossível depois que a Lituânia fechou as fronteiras para a Rússia”. Saída imediata para esse problema (previsível), já que o Brasil é obrigado a importar 85% dos fertilizantes que usa na produção. Resta apelar para aumento de importação de fertilizantes do Irã. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em recente viagem internacional, já firmou um compromisso de aumento de fornecimento pelos iranianos. Mas isso não basta. Já passou da hora de o Brasil tomar vergonha na cara e parar com várias formas de dependência econômica que não deveríamos ter, pois temos recursos naturais em abundância para serem “conservados” (utilizados de maneira racional). De imediato, basta que o Congresso Nacional aprove, com urgência, o Projeto de Lei 191/2020 que permite a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em terras indígenas. O assunto pode ser tratado pela via de Decreto-Legislativo. O Brasil não pode quebrar.

Na realidade, nosso problema é a permanente sabotagem contra o crescimento e desenvolvimento do país. Nosso sustentáculo econômico, o agronegócio, é a grande vítima de décadas de políticas ambientais ideologizadas, sem embasamentos técnicos adequados e com muita demagogia. Gerando miséria e pobreza entre os brasileiros, a esquerda brasileira (PT, PSDB, PSB, PSOL, PSTU e outros Ps…) sempre acusou, leviana e mentirosamente, o empreendedor rural brasileiro de todos os males. A narrativa sempre foi nojenta. Os movimentos dos Sem-Terra eram apresentados como “grandes vítimas” dos empresários. Quando a esquerda assumiu o poder, de 1994 em diante, usou e abusou da retórica falsa de “proteção dos povos indígenas” para atacar o agronegócio. Tudo com apoio de países e ONGs transnacionais. E, mais grave, com apoio até do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público Federal. Foram criadas áreas de reservas, de proteção e infinitas legislações ambientais tornando crime inafiançável qualquer atividade agrícola que afrontasse esse regramento sem fundamento. O único objetivo dos sabotadores era gerar miséria e pobreza no campo, deixando a população brasileira mais dependente ainda das esmolas do Estado.

Ponto inaceitável: um país com mais de 8 milhões de km2, riquíssimo em reservas minerais capazes de nos dar tranquilidade na produção de fertilizantes, agora está em sério risco de ver prejudicado ou até dizimado um setor da economia que representa quase 40% do PIB brasileiro? Fala sério… A guerra Rússia x Ucrânia escancarou uma fragilidade do Brasil: a dependência absurda de importação de fertilizantes do exterior. Agora é hora de dar ouvido ao agronegócio que denuncia, há décadas, o descaso e até mesmo os ataques sofridos, ao longo dos anos, de governos corruptos, sem compromisso com o bem estar da nossa população e sem compromisso com o crescimento/desenvolvimento do país. Medidas extremas e urgentes devem ser adotadas. O momento é de extrema gravidade e os poderes Legislativo e Executivo devem agir, depressa, com a máxima responsabilidade que o momento internacional exige. A maior vítima desta “guerra” não pode ser o agronegócio brasileiro, e muito menos a nossa população. A nossa guerra é contra os sabotadores do Brasil. Eco-corruptos, nunca mais! A turma do “togaquistão” precisa se enquadrar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.