Crime Organizado e rentismo mantêm Bolsonaro refém?

Setores do governo, militares e magistrados (não contaminados por máfias) encontram dificuldade em lidar com o momento violento e instável que o Brasil vive e que tende a se agravar no curto prazo

  • Por Jorge Serrão
  • 20/04/2022 12h37
Foto: Isac Nóbrega/PR Jair Bolsonaro Presidente Jair Bolsonaro provocou Lula em fala a apoiadores nesta quarta-feira, 27

Em seu pragmatismo cínico, sempre em busca de resultados no curtíssimo prazo, na base do custe o que custar, de preferência com o mínimo de esforço e trabalho, a ideologia rentista tupiniquim consegue se superar em análises idiotas. O fato grave é que as besteiras acabam vendidas ao mercado como “visão estratégica”. Ou, pior ainda, como “verdades teóricas” proclamadas por “economistas” através do noticiário. O Brasil tem de se livrar da refinada canalhice rentista. O problema é que isto é complicado, quase impossível, porque a mentalidade rentista domina e escraviza o “pensamento” político e econômico.

O rentismo controla tudo, principalmente a mídia e a área de ensino que forma nossas “zelites”. Por isso, parece “natural” a reprodução da ideologia rentista. Quem ousa pensar diferente deles é inviabilizado. Quando permite, é cooptado. Se atrapalhar demais, ou tem a reputação assassinada, ou é censurado e marginalizado economicamente ou acaba exterminado de verdade. O presidente Jair Messias Bolsonaro, por exemplo, tem sido enganado e feito refém pelo rentismo que subjuga o governo.

Quer provas de que o rentismo é criminoso? Então tente responder a algumas perguntas básicas: quem financia, de verdade, o sistema do Crime Institucionalizado no Brasil? Quem movimenta, de modo tão profissional, a dinheirama que as diversas atividades criminosas movimentam no Brasil e pelo mundo afora? Quem controla e lucra, de verdade, com a ação institucionalizada do crime, sobretudo com a corrupção e os variados tráficos (de drogas, armas, gente, órgãos e produtos)? Quem forma o braço financeiro das supermáfias? Quem comanda realmente o narconegócio? Quem escraviza o marginal pobre da favela? Quem investe na insegurança e no terrorismo psicológico para lucrar alto com a “indústria da pretensa segurança”? As variadas respostas revelam que seres humanos com mentalidade rentista dirigem as atividades criminosas – inclusive aquelas que têm aparência “legal”, legitimadas pelo abuso de poder estatal.

O Crime Organizado (ou Institucionalizado) é uma atividade dirigida pela ideologia rentista. Ninguém duvida que o rentismo está na essência do Crime Institucionalizado – que é a associação para fins delitivos entre quem movimenta a máquina estatal e bandidos de toda espécie que lucram, direta ou indiretamente, com o controle político e econômico da sociedade. O rentismo “paitrocina” o crime. Por isso, não adianta combater o crime no Brasil sem antes neutralizar a hegemonia da mentalidade rentista. O rentismo é uma doença que destrói a humanidade, pois a evolução humana é baseada no trabalho (nobre função odiada pelo rentismo, que patrocina a vagabundagem e a escravidão pós-moderna).

Dá tristeza ver que tem self-made-man idiota que sente orgulho de ser chamado de “rentista”. O imbecil econômico, geralmente também um arrogante analfabeto que pensa fazer “leitura política”, tem a ilusão de que faz parte da “elite” graças aos seus milhões ou bilhões acumulados por via legal ou ilegal, geralmente improdutiva. São estas bestas quadradas quem dão sustentação a governos socialistas fabianos, essencialmente capimunistas, no qual o Estado-Ladrão dita as regras. A grande missão rentista é cooptar o produtor que trabalha de verdade, sem ficar preocupado com as meras cotações de bolsas de valores de mentirinha – que mais parecem cassinos de apostas, no jogo de ganha-e-perde ou só de perde-perde (para os incautos).

Em resumo: o rentismo só pode ser derrotado por uma profunda mudança de mentalidade, em uma mudança estrutural – que colocará o Brasil no rumo do verdadeiro crescimento e desenvolvimento, via Capitalismo. Os rentistas farão o diabo para impedir que a autodeterminação do Brasil se torne uma realidade. O inimigo do Brasil é o rentismo improdutivo. O resto é consequência. A parada é sinistra. Não é à toa que o rentismo patrocina as ideologias esquerdistas – que valorizam a “Estadodependência” e a lei do menor esforço para ganhar dinheiro. Por isso, imitando o imortal Machado de Assis em sua crítica fatal ao tempo, “matamos o rentismo, ou o rentismo nos enterrará”.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.