Novas razões para provar que Lula tem grande chance de perder para Bolsonaro

Velhas ideias pregadas por Lula não combinam com o ritmo de um Brasil que passa por profundas transformações; por isso, ninguém se surpreenderá se ele sair da disputa, caso Bolsonaro lhe pareça mais forte

  • Por Jorge Serrão
  • 06/04/2022 13h48
JOAO GABRIEL ALVES / ENQUADRAR / ESTADÃO CONTEÚDO Lula durante evento do Sindicato dos Petroleiros no Rio de Janeiro Lula durante evento do Sindicato dos Petroleiros no Rio de Janeiro

A insatisfação do cidadão brasileiro com a corrupção vem de longe. Nos anos de 2001 e 2002, final da Era FHC, praticamente toda semana um novo escândalo de corrupção era denunciado. A mídia se via obrigada a deixar em segundo plano os escândalos das semanas anteriores para dar espaço ao que surgia como “novidade”. Para quem viveu aquela época, as lembranças são amargas: escândalo do Sivam e na Sudam e na Sudene; escândalo do Proer (R$ 111 bilhões) para bancos e banqueiros; escândalo das privatizações (Privataria) da Telebrás e Vale do Rio Doce; escândalo do DNER (superfaturamentos e precatórios); escândalo do FAT (Fundação Teotônio Vilela) desviando milhões de reais destinados ao treinamento dos trabalhadores e dezenas de outros escândalos foram denunciados e investigados. Não podemos esquecer o mais emblemático dos escândalos: da PEC da reeleição do FHC. No processo, vários parlamentares denunciaram a compra de votos para votar pela reeleição do “Príncipe dos Sociólogos”. Naqueles tempos de FHC, o Procurador-Geral da República foi chamado de “Engavetador Geral da República”, pois não encaminhava nenhuma denúncia contra o alto escalão do governo federal.

Que situação lamentável de impunidade. Uma nação cansada, esgotada por tanta corrupção e escândalos que se sucediam. Ninguém era punido e preso. A sociedade buscava uma forma de combater o leviatã do mal e da corrupção que tinha se tornado o setor público brasileiro. Pareceu, naquela época, que a alternativa mais apropriada era escolher alguém que tinha uma vida pública aparentemente honesta, mas não tinha ocupado cargos políticos e nem fosse objeto de denúncias de corrupção. Assim se consolidou o nome de Lula, cujo partido brilhava e crescia nas denúncias implacáveis contra FHC. Na eleição de 2002, o candidato Lula parecia limpo e puro. Nunca tinha sido prefeito, governador, nem dirigente de estatal. Portanto, não existiam contra ele acusações de corrupção. Lula era o persistente representante da classe trabalhadora, com o discurso de que queria combater a corrupção generalizada da era FHC. Assim, Lula prometeu que, se ele fosse eleito presidente, iria corrigir todas as injustiças praticadas contra a população e prender os corruptos responsáveis por tanta miséria e sofrimento do povo brasileiro.

O discurso adotado pelo PT motivou a união de quase todas as lideranças de esquerda, intelectuais, sindicalistas, artistas. Pintou-se a imagem de que era chegada a hora de chegar ao poder a verdadeira geração que “teria combatido” o regime militar. Não deu outra. Com propostas populares e populistas, o PT soube aproveitar o desgaste do governo FHC e, em 2002, elegeu Lula Presidente da República. A coligação liderada pelo PT fez muitos deputados federais, senadores, governadores e deputados estaduais. Parecia que o Brasil tinha, enfim, encontrado o seu “Salvador da Pátria”. Só que não! Entre os anos de 2003 até 2010, a população viu serem noticiados escândalos diversos. O mais emblemático foi o do “Mensalão”. Quase que Lula foi cassado pelo Congresso Nacional. Mas a máquina partidária da esquerda se defendia dizendo para a população que Lula estava sendo atacado por defender os mais pobres e injustiçados pela “elite medieval” e pelas “oligarquias” que não queriam mudanças. A maioria do eleitorado acreditou na narrativa.

Sem opções melhores, a população não queria enxergar que o sonho petista, na verdade, era um pesadelo. Assim, Lula recuperou força para eleger “postes”. Seu maior feito foi fazer sua sucessora: Dilma Rousseff – que a marketagem inventou a fama de “gerentona” competente. O tempo passou e o desastre aconteceu, bem conhecido de todos. Escândalos e mais escândalos, pilhagem generalizada em estatais, Correios, fundos de pensão, BNDES, vendas de Registros Sindicais no Ministério do Trabalho, centenas de obras inacabadas em todo o Brasil, uma dívida pública explodindo e juros nas alturas. Sorte dos brasileiros que Dilma não tinha nenhuma capacidade de articulação política – ação na qual Lula era mestre. Sem apoio parlamentar, foi facilmente golpeada por uma trama montada por seu inimigo Eduardo Cunha, então presidente da Câmara – que, depois, também seria rifado pela “Lava Jato”.

Acontece que o “golpe” fatal contra Dilma não veio apenas do parlamento, mas sim da mobilização nas ruas, resultante de um fenômeno: a evolução das redes sociais mobilizando milhões de pessoas instantaneamente. A partir dos anos 2000, plataformas de redes sociais foram desenvolvidas e permitiram aos cidadãos serem protagonistas da história e não mais apenas espectadores. O brasileiro estava sedento por aquela oportunidade: Orkut, Facebook, Whatsapp, Youtube, Twitter, Instagram, Linkedin, Tik Tok são exemplos de redes sociais que foram ou são utilizadas diariamente por todos os brasileiros para se comunicar, para denunciar crimes, para manifestar opiniões e para exercer seus direitos de cidadãos. Essas plataformas, inicialmente disponíveis só em computadores, hoje são aplicativos presentes nos mais de 240 milhões de celulares de brasileiros. São bilhões de mensagens de texto, vídeos, imagens e conteúdos diversos compartilhados pelos brasileiros todos os dias. A Cleptocracia se tornou o maior alvo da ira popular.

Esse verdadeiro Big Brother nas mãos de cada brasileiro acompanha, critica, verifica e audita praticamente tudo que os corruptos fazem ou tentam fazer. A população brasileira, cansada de ser injustiçada, assaltada, assassinada, pilhada e acuada por grupos corruptos, quer mudanças. Não quer mais repetir erros do passado. Essa população não acredita em pesquisas feitas sob encomenda de banqueiros e pelos bilionários corruptos interessados no poder. Essa galera cobra a ausência do Lula “favorito” nas ruas, em passeatas, comícios e eventos públicos com milhares de pessoas, como acontecia no passado. O eleitor brasileiro está desconfiado que estão produzindo falsas verdades para convencê-lo de que Lula ainda tem algum capital político. Mas isso não é visto em filmagens, fotos nem em engajamento nas redes sociais.

O eleitorado brasileiro sente e sabe que algo está errado nas versões de pesquisas divulgadas pela velha mídia – que insiste em disfarçar o velho Lula em algo de novo. Em termos eleitorais, Lula não conseguiu fazer alianças consistentes nos Estados – a não ser com quem tem ligação com a velha ordem corrupta. Estamos vendo que somente políticos sem mandato, derrotados em todas as últimas eleições é que estão concordando em analisar alianças com o PT. Os desesperados articulam um grande bloco de políticos sem mandatos e derrotados em seus estados para tentar ressuscitar o velho passado – do qual só eles sentem saudades. Tal armação esbarra em um problema: o eleitor de menos de 30 anos sequer se lembra do governo Lula. E o eleitor de 40 anos ou mais se lembra do Mensalão, do Petrolão, da pilhagem nos fundos de pensão, nos Correios e da farra com as empreiteiras amigas. A maioria dos brasileiros não se esquece e não quer mais o sofrimento e a corrupção dos governos Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma. Chega! Exatamente por essa memória forte, Lula tem chances muito precárias de se eleger Presidente da República. Diante da previsão de derrota para Jair Bolsonaro, ninguém fique surpreso se, até a definição final na convenção partidária, Lula se retirar da disputa, alegando qualquer desculpa esfarrapada e indicando um substituto (outro “poste” qualquer) para a missão de suportar a derrota.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.