Oposição sabe que Bolsonaro só perde para ele mesmo 

Donos do poder não desejam retorno de Lula; petista é usado pelo mecanismo apenas para tentar induzir Bolsonaro a um erro que comprometa seu futuro político e a governabilidade

  • Por Jorge Serrão
  • 04/07/2022 15h30
Clauber Cleber Caetano/PR - 01/07/2022 Em meio a motociclistas, a maioria de amarelo, Bolsonaro, de jaqueta preta, acena para apoiadores Jair Bolsonaro participa de motociata em Cruz das Almas, na Bahia

Os cerca de cem dias de campanha eleitoral devem ser os mais tensos dos últimos tempos, em termos de instabilidade política e econômica. As turbulências vão se intensificar. O Estamento Burocrático sabe que Jair Bolsonaro tem toda chance de se reeleger. O Establishment não tem interesse numa vitória de Lula da Silva, embora possa parecer o contrário. O plano era a “terceira via”, que não se viabilizou novamente, a exemplo de 2018. Por isso, o golpe armado não é para derrotar Bolsonaro no primeiro e no segundo turno. O jogo é mais sutil. Até porque, a essa altura da competição, Bolsonaro só perderia, de fato, para ele mesmo.

A prioridade é impedir que ele seja escolhido junto com uma base política sólida, na Câmara e, principalmente, no Senado. Se ele não conquistar esse apoio, será fácil destroná-lo da cadeira elétrica do Palácio do Planalto no próximo mandato, a exemplo do que ocorreu com Dilma Rousseff. O motivo pode ser qualquer um inventado pela oposição, que acionará o Ministério Público e deixará que a Juristocracia complete o serviço sujo golpista. Acontece que essa jogada já está manjada por Bolsonaro e seus apoiadores. A maioria dos brasileiros rejeita tal manobra. E torce para que o Brasil retome o caminho do crescimento e do desenvolvimento que vários indicadores estruturais apontam.

Por isso, é fundamental que a esquerda cleptocrática não retorne ao poder, porque ela representa o atraso, a corrupção e a escravidão do brasileiro à ditadura criminosa. O velho Foro de São Paulo, fundado por Fidel Castro e Lula da Silva em julho de 1990, é uma organização que reúne partidos de esquerda em 30 países na América Latina e Caribe. Recentemente, mudou de nome para Grupo de Puebla, que congrega 111 partidos e organizações. Muitas delas são grupos revolucionários apoiados por narcoguerrilhas. No Brasil, o narconegócio é o controlador do mecanismo do Crime Institucionalizado — definido como a associação delitiva entre criminosos de toda espécie e membros da máquina estatal, nos poderes da União, estados e municípios. As facções  criminosas — traficantes de todo tipo e milícias — têm atuação política direta e indireta. Interferem nas decisões estatais, nos negócios entre iniciativa privada e setor público e, por extensão, exercem influência política, financiando candidaturas e elegendo seus representantes.

Se houver interesse político, basta um pente fino investigativo para verificar onde cada parlamentar (vereador, deputado federal, estadual e vereador), prefeito, governador e até presidente da República consegue voto para se eleger. Também valeria uma checagem sobre quem financia cada campanha, em cada região. Esse trabalho de inteligência é indispensável. Ainda mais porque não existe mais tempo a perder. O Brasil tem de evoluir para uma nação capitalista, empreendedora, mais honesta, deixando de ser o País do Cartel, do Cartório e da Corrupção — o trio maldito que nos mantém no atraso. A economia brasileira começa a reagir, com perspectiva de bombar. Não dá mais para aceitar retrocesso.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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