Joseval Peixoto: Brasil volta a ficar envergonhado após delação de Palocci

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2018 11h05
EFE/HEDESON SILVASão coisas de arrepiar - veementemente negadas pelo ex-presidente Lula e o partido, ali duramente referidos por Palocci

O Brasil voltou a ficar envergonhado e estarrecido ao tomar conhecimento das bandalheiras noticiadas por Antonio Palocci.

O ex-ministro está preso em Curitiba desde 2016 e vinha negociando sua delação premiada desde então. As declarações foram prestadas ao delegado de Polícia Federal Felipe Pace, em março deste ano e nesta segunda-feira (01) parte de seu conteúdo foi liberado pelo juiz Sergio Moro.

São coisas de arrepiar – veementemente negadas pelo ex-presidente Lula e o partido, ali duramente referidos por Palocci. E envolvem também o parlamento do país: 90% das medidas provisórias editadas eram fruto de propina e tinham por objeto favorecer empresas e setores econômicos.

As doações oficiais de campanha eram propina.

Na área internacional, o delator refere acerto de 5% em contrato de 800 milhões de dólares.

Os acusados negam e nós – todos nós cidadãos – ficamos estupefatos sem saber até onde vai esse amontoado de sujeira, que consta da delação. Verdade ou não, é isso tudo que tirou o respeito do político brasileiro.

A vergonha não é apenas de um partido. São quase todos eles. E é isso que gerou essa polêmica dos extremos, às portas das eleições que se aproximam.

E isto não é de agora. Na década 80, Chico Buarque já falava num tempo – página infeliz da nossa história – em que dormia a pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações.

Votar em quem? Esta semana o peruano Vargas Loza, em entrevista a Veja, declarou que o Brasil tem ampla margem de eleitores sensatos, mas os dois líderes das pesquisas parecem ser justamente o oposto.

Esse Bolsonaro, disse. parece tão perigoso quanto o PT ou Lula. Escolher entre ambos é, numa aleivosia grosseira, escolher entre a Aids e o câncer terminal.