Brasil permanece entre os países mais perigosos para defensores ambientais
O Brasil continua a aparecer entre os países mais letais para quem defende o meio ambiente. De acordo com a Global Witness, 142 defensores foram assassinados no mundo em 2024. No Brasil, foram 12 mortes — número menor do que em 2023, mas suficiente para manter o país em quarto lugar no ranking global. Os alvos seguem sendo, principalmente, pequenos agricultores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. São grupos que vivem em áreas de conflito, pressionados por grileiros, garimpeiros, madeireiros e setores do agronegócio. Além das mortes, a Comissão Pastoral da Terra registrou 481 tentativas de assassinato ligadas a disputas de terra no Brasil no mesmo ano. A violência tem histórico. Em 1988, o assassinato do seringueiro Chico Mendes no Acre ganhou repercussão mundial. Em 2005, a missionária Dorothy Stang foi morta no Pará após denunciar desmatamento ilegal. Em 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram executados no Vale do Javari, revelando a força do crime organizado na Amazônia. Esses casos mostram que a violência contra defensores ambientais não é pontual, mas estrutural.
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Na América Latina, mais de 80% das mortes de 2024 ocorreram em países como Colômbia, México e Guatemala. O Brasil permanece nesse grupo de risco, apesar da queda nos números. O dado evidencia que ainda falta proteção efetiva, investigações rápidas e punições exemplares para mandantes e executores. Defender o meio ambiente no Brasil continua sendo uma atividade de alto risco. Sem mudanças estruturais na forma como o Estado trata conflitos no campo e na floresta, a impunidade seguirá alimentando a violência.
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