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Patrícia Costa

O que a redução do buraco da camada de ozônio revela sobre a força dos acordos ambientais

O buraco surgiu mais cedo em 2025, mas a recuperação segue firme. O Protocolo de Montreal é prova de que cooperação internacional baseada em ciência funciona — e pode ser inspiração para os desafios do clima hoje

Patricia Costa

DIVULGAÇÃO
Protocolo de Montreal foi assinado para limitar uso de substâncias tóxicas à camada de ozônio

O buraco na camada de ozônio apareceu mais cedo este ano, sobre a Antártida. À primeira vista, pode soar como retrocesso. Mas a ciência mostra o contrário: trata-se de uma flutuação natural. A trajetória de recuperação segue intacta e traz uma mensagem poderosa. Nos anos 1980, o mundo descobriu que substâncias comuns — como os CFCs em sprays, geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, além de halons em extintores — estavam destruindo o ozônio, a barreira que protege a Terra da radiação ultravioleta. Os impactos eram claros: mais câncer de pele, catarata, danos às lavouras e aos ecossistemas. A resposta veio em 1987, com o Protocolo de Montreal. O tratado eliminou progressivamente esses gases, substituídos por alternativas menos nocivas. O resultado é inequívoco: desde os anos 2000, a camada de ozônio mostra sinais consistentes de recuperação. Se as regras forem mantidas, deve voltar aos níveis da década de 1980 entre 2040 e 2060.

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O fato de o buraco ter surgido antes em 2025 não muda esse cenário. Mostra apenas a variabilidade natural da atmosfera. A lição central é outra: acordos ambientais bem estruturados funcionam. Montreal é exemplo de como ciência, política e cooperação global podem, juntas, reverter uma ameaça que parecia incontrolável. No momento em que o mundo se prepara para a COP30 e enfrenta impasses sobre clima, carbono e transição energética, a experiência da camada de ozônio é um lembrete incômodo: não faltam soluções, falta compromisso. Se em 1987 governos, empresas e sociedade foram capazes de agir diante de uma ameaça concreta, por que em 2025 ainda hesitamos em enfrentar a crise climática?

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