Campanha de ministros do STF a favor de Lula está descarada

Nós, brasileiros, pagantes de impostos, temos de assistir a esse espetáculo de horrores em que a Suprema Corte escolhe, de forma acintosa, o lado tenebroso da história, em apoio a um ex-presidiário

  • Por Paulo Mathias
  • 27/06/2021 08h00
Fellipe Sampaio/SCO/STFNesta semana, o plenário do STF decidiu manter a decisão de tornar Moro suspeito no caso do tríplex do Guarujá

Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter e expandir a suspeição do ex-juiz Sergio Moro em todos os processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais um desserviço da alta cúpula judiciária do nosso país, que joga contra todas as contribuições que o combate à corrupção prestou a nós brasileiros, ao desvendar poderosos esquemas que envolviam a alta expressão da política, inclusive o ex-presidente Lula. O que pensar de tudo isso? Muito simples: alguns ministros do Supremo já decidiram seu candidato para as eleições de 2022. Ele tem nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Lamentavelmente, outra vez, precisamos enxergar que estamos cercados de partidarismos que se utilizam de fatos pouco relevantes para acobertar o que realmente exemplifica a corrupção deste país.

Em 23 de março deste ano, Moro foi declarado suspeito pela Segunda Turma do STF, em acusação sobre uma possível parcialidade no julgamento de processos que envolviam o ex-presidente Lula. Em abril de 2021, a Corte conseguiu maioria no que se refere à suspeição. Na ocasião, o julgamento foi suspenso, a pedido do Ministro Marco Aurélio, e retomado no mês seguinte, atingindo um placar de 7 votos a 4, que considerou a atuação de Moro parcial contra Lula. Na verdade, tudo começou, quando, em março de 2019, o portal de notícias “The Intercept Brasil” revelou alguns diálogos privados entre Moro e Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, condenando Moro por atitudes consideradas ilegais em parceria com o Ministério Público Federal. Mero detalhamento jurídico, sem levar em conta o conteúdo do processo. Nesta quarta-feira, ao ser retomada a sessão de julgamento em plenário, o presidente do Supremo, Luiz Fux, e Marco Aurélio votaram contra a maioria dos representantes da Corte, se juntando aos ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Uma verdadeira força-tarefa para incriminar Moro e acobertar os reais crimes praticados por Lula e sua “comitiva”, que parece ter ficado esquecida no meio do caminho. Sem dúvida, Moro se tornou o “bode expiatório” de uma questão muito maior do que a que se apresenta: tornar Lula elegível, o que já foi feito, e fazê-lo novamente Presidente da República. Vergonhoso.

Em razão da mais recente decisão da Corte em manter a parcialidade de Moro, os processos vão recomeçar do zero, pois as provas recolhidas em Curitiba não poderão ser reutilizadas, uma vez que foram consideradas ilegais. Cada vez mais, fica clara a parcialidade do Supremo nessa questão. Tudo é organizado e feito mirando um objetivo muito claro. Só não enxerga quem não quer. Quanto aos processos contra o ex-presidente Lula, com o passar do tempo, a Corte mudou seu entendimento e decidiu que vários casos julgados tinham uma ligação bem distante com a Petrobras e que envolviam crimes sem relação direta com a empresa. Ou seja, mais um item para o rol dos “panos quentes” da Lava Jato. E assim caminha todo esse processo, colocando debaixo do tapete provas que, se levadas a sério pelo Judiciário, teriam mantido Lula na cadeia. Porém, a realidade é outra, em que teremos Lula, com o nítido apoio de alguns ministros do Supremo, como candidato às próximas eleições presidenciais. E nós, brasileiros, pagantes de impostos e respeitosos das leis vigentes no país, temos que assistir a esse espetáculo de horrores em que a Suprema Corte, que deveria respeitar a Constituição, escolhe, de forma acintosa, o lado tenebroso da história, em apoio a um ex-presidiário.

Com isso, a pergunta que não se cala: o Brasil tem saída? Ou essa constante inversão de valores serve para mostrar a força dos poderes que nos comandam, sem o menor senso de justiça e racionalidade. Não vejo, atualmente, um caminho que nos leve a acreditar em um país livre de meias verdades, corrupção, com instituições que, descaradamente, tomam partido e impossibilitam que a verdadeira concepção dos fatos venha à tona. Mesmo assim, tenho esperança de que nossos filhos possam viver uma outra realidade, em que os representantes do povo falem nossa língua e saiam em defesa dos interesses de uma nação cansada de não ser levada a sério.

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