Menos narrativas políticas e mais fatos: a pandemia está acabando

Queda na média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil somada ao avanço da vacinação mostram que caminhamos para o fim de um pesadelo e a retomada de uma rotina perdida

  • Por Paulo Mathias
  • 11/07/2021 08h00
JOAO GABRIEL ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDOSegundo o ministro da Saúde, a previsão é de que toda a população adulta do Brasil esteja vacinada pelo menos com a primeira dose até setembro

Depois de um ano e meio de incertezas, notícias alarmantes, com o número de mortes pela Covid-19 crescendo no mundo a cada dia, conseguimos hoje vislumbrar uma luz no fim do túnel. Dados recentes trazem esperança de que o fim da pandemia pode estar mais próximo do que imaginamos. Em meio a tantos erros descabidos por parte de representantes políticos em nosso país, fica claro que os interesses partidários sobrepujaram as evidências da ciência, mutável constantemente, impedindo que medidas mais coerentes fossem tomadas ao longo deste período de enfrentamento ao coronavírus. Por outro lado, ações que estão sendo tomadas em todo o Brasil e os dados numéricos apresentados nesta semana apontam para uma possível abertura da economia e uma gradual adaptação ao “novo normal” que se estabelece no país. Esperança é a palavra da vez, deixando cair as máscaras – sem duplo sentido – reduzindo o distanciamento social, enxergando um futuro em que a pandemia se torne apenas uma lembrança em nossa história.

Nesta semana, o governador do Estado de São Paulo anunciou que irá realizar 30 eventos-teste, do dia 17 de julho ao final do mês, com a obrigatoriedade do cumprimento, por parte dos participantes, de protocolos como vacinação, capacidade reduzida, testagem e uso de máscaras. Segundo o governador João Doria, trata-se de “um novo passo na retomada econômica do Estado de São Paulo”, em que o principal objetivo será ajustar, por meio de situações reais, as regras que permitirão a retomada de um dos setores mais afetados na pandemia e que fornece empregos a milhões de brasileiros. Quanto aos resultados dessa medida, ainda não se pode dizer nada a respeito, mas se apresenta como um novo caminho para a volta à normalidade, tão desejada por todos nós.

Além disso, os números têm falado mais alto. Embora muitos especialistas relativizem esses dados e digam que o patamar de casos, mortes e internados ainda é bastante alto, o que se pode constatar é que, na cidade de São Paulo, por exemplo, o número de pessoas internadas vem apresentando queda nos últimos meses. Se comparado ao mês de junho passado, o volume de pessoas internadas para tratamento do coronavírus teve uma queda de 32%. Isso representa a menor quantidade de pessoas atendidas em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou enfermaria nos últimos cinco meses. Assim como, nesse mesmo período, a desaceleração de internações em leitos de enfermaria foi de 35,6%. Com isso, embora epidemiologistas ainda temam um aumento de casos em razão da variante Delta que já está em solo brasileiro, pensemos de forma otimista. Números concretos abrem a possibilidade de uma realidade diversa, em que caminhamos visivelmente para o fim de um pesadelo e a retomada de uma rotina perdida ao longo do tempo.

Outro ponto que nos enche de esperança e que, mais uma vez, vem somar às demais informações sobre o provável fim desta pandemia, é a antecipação das vacinas para a população acima de 18 anos. De acordo com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em um pronunciamento realizado em 21 de junho deste ano, toda a população adulta do país já terá recebido, até setembro, pelo menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Segundo o Ministro, o Brasil já dispõe de 600 milhões de doses de imunizantes. Somando-se a esses dados animadores, pela primeira vez desde o início da pandemia, o estado do Amazonas não registra mortes por coronavírus num período de 24 horas. Notícia veiculada em 6 de julho sobre um estado que, entre abril de 2020 e janeiro deste ano, apresentou recordes de mortes pela doença. Mais um dado que reforça a possibilidade de um futuro bem mais positivo do que aquele que muitos pessimistas insistem em prever. Sejamos realistas, nos atentando a fatos, porcentagens e dados que indicam o início de uma nova fase para o Brasil e o mundo, vencedores de uma pandemia em vias de extinção.

Complementando esses dados recentes, em uma declaração veiculada por vários canais da imprensa de nosso país, no dia 6 de julho, foram confirmadas 1.787 novas mortes por Covid-19 no país, chegando ao 10º dia seguido com queda na média móvel diária. A média nos últimos sete dias foi de 1.557 óbitos, representando uma queda de 19% se comparado aos 14 dias anteriores, completando uma semana com média móvel abaixo de 1.600, o menor índice desde março deste ano. Da mesma forma, no Rio de Janeiro, a taxa de ocupação de leitos para Covid-19 caiu para 77%, além da redução no número de mortes, sendo que, entre maio e junho foi registrada uma redução de 44%. Esses dados, divulgados no 26º Boletim Epidemiológico da Covid-19, segundo Soranz, Secretário da Saúde do Município do Rio de Janeiro, significam que as vacinas têm alcançado um resultado bastante positivo, somado a ações de antecipação da vacinação para adultos.

Como diante de fatos não há o que negar ou duvidar, só me resta dizer que sou um dos milhares de brasileiros – embora existam exceções – que buscam visualizar o lado positivo dos acontecimentos. No caso da pandemia que nos acompanha por mais de um ano e meio, acredito que está chegando ao fim, apesar de tantos erros cometidos pela vaidade política e busca de interesses partidários e ideológicos, em contraste com as descobertas da ciência e suas constantes mutações, que contribuíram para o alto índice de mortalidade no Brasil. Com isso, consigo enxergar um novo momento, não só para nós, brasileiros, como para o resto do mundo, em que será possível pôr em prática os planos que ficaram retidos na pandemia, construindo uma nova realidade para nossos filhos e as gerações vindouras. Não sou eu quem fala, mas os fatos. Só me resta dizer: esperança, sempre.

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