Constantino: Argentina escolheu suicídio democrático e econômico

  • Por Jovem Pan
  • 28/10/2019 09h26
EFEEm seu primeiro ato após vencer a eleição, Fernández entoou grito de 'Lula Livre'

O peronista Alberto Fernández foi eleito neste domingo (27) presidente da Argentina, tendo como vice Cristina Kirchner, mentora da chapa que devolve o poder à esquerda após quatro anos. Segundo projeção com base nos números oficiais, com 90% dos votos apurados, Fernández obtinha 47,8% dos votos, suficiente para ser eleito em primeiro turno. Macri alcançava 40,7%.

“Não há muita dúvida pairando no ar: era o esperado, mas a Argentina escolheu o suicídio – talvez democrático e, sem dúvida, econômico. Se fosse no Brasil, com a volta do petismo, eu diria que estamos sambando diante de um vulcão em erupção ou de um abismo. No caso da Argentina, é um tango – que obviamente tem mais a ver com eles – em direção ao abismo.

Não há novidade aí. O peronismo está no poder desde 1950 sem parar, interruptamente, teve apenas alguns breaks, já que venceram nove eleições de 11. O Macri foi, justamente, uma tentativa de respiro mais liberal e reformista, em vez da receita populista e demagógica dos peronistas. Infelizmente o Macri foi tímido demais em sua agenda e foi um traidor da sua mensagem vitoriosa liberal, já que ele também apelou para os mesmos mecanismos do peronismo: congelou preços, gerou inflação – está acima de 50% -, então os argentinos pensaram ‘Se é para ficar com o fake, vamos direto para o original, para o peronismo raíz’.

E Cristina Kirchner, que colocou Fernández como um preposto – é ela quem está voltando ao poder – tem um currículo criminoso de fazer inveja ao Lula. Ela tem mais de 12 processos – inclusive, recentemente, vimos a questão da morte do ex-prefeito Celso Daniel pairando talvez sobre a cabeça de Lula como mandante. E, na Argentina, temos a morte do promotor Alberto Nisma, que tem indícios de que ela poderia ser a mandante. Estão eis o nível da turma que voltou ao poder.

Já está anunciando controle de câmbio, limitação de liberdade dos argentinos, vai ter congelamento de preços – vai ser uma desgraça, sem a menor dúvida. Não tem o menor risco de dar certo. É o Foro de São Paulo voltando ao poder e o Macri, nos 45 minutos do segundo tempo, também manteve uma postura muito covarde, falando que já convidou Fernández para um “café da manhã, para fazer uma transição suave.

É muito importante o respeito às instituições, mas esse é o ponto: temos que ser realistas nessas horas e saber com quem estamos lidando. Não dá para achar que essa turma vai ter apreço, também, às instituições. Uma das primeiras imagens do presidente eleito foi em apoio a Lula, que seria um perseguido da Justiça brasileira – ou seja, essa turma não tem respeito algum pelas instituições”, disse Constantino.