Constantino: Casamento entre Bolsonaro e Bivar é pura conveniência

  • Por Jovem Pan
  • 09/10/2019 09h15
Divulgação/PSLSe sair do PSL, Bolsonaro corre risco de perder muito apoio no Congresso

O presidente Jair Bolsonaro deu início, nesta terça-feira (8), a uma polêmica agora com seu o próprio partido, o PSL. Ao conversar com um apoiador na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, ele foi gravado dizendo que o presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar, estava “queimado”, e que o militante deveria “esquecer o partido”.

“O casamento entre Bolsonaro e o PSL de Luciano Bivar é de pura conveniência. O presidente, precisava, enquanto candidato, de uma sigla – ele já passou por inúmeros partidos, só o Ciro Gomes compete com ele nesse quesito – e Bivar, por sua vez, é um empresário que tinha uma sigla de aluguel, um negócio político. E ele estava flertando, inclusive, com o Livres, algo de uma vertente mais progressista, e encontrou em Bolsonaro um caminho. Assim, o partido, que era nanino, saiu de duas cadeiras no Congresso para 52, e agora estamos discutindo um espólio de R$ 100 milhões neste ano e talvez R$ 500 milhões no ano que vem.

É isso que está em jogo: de um lado, o Bivar quer o controle disso e, do outro, o presidente quer o controle do seu partido, que claramente cresceu na esteira do bolsonarismo. Mesmo assim, ele se sente traído: Bolsonaro tem reclamado de algum ‘fogo amigo’ dentro do partido, como Major Olímpio, Delegado Waldir, que são figuras que vem criticando ou o governo ou os filhos do presidente, e a mentalidade bolsonarista costuma exigir maior fidelidade.

Tem muito dinheiro na mesa no PSL, interesses muito divergentes e era óbvio que esse casamento de conveniência ia terminar em litígio. Mas existem poucas alternativas na mesa para Bolsonaro: para onde ele vai? UDM, Patriotas? Ele corre o risco de ficar em um partido nanico como aconteceu com o Collor, no PRN, que era nanico e sem muito apoio. Mal ou bem o PSL vem votando mais com o governo do que os demais partidos, o que é natural, e obviamente que ele não conseguiria levar toda a sigla para um partido menor, fazendo com que houvesse um racha e resultando em um apoio menor para o presidente, o que não é uma alternativa muito boa para ele. É um dilema quase insolúvel”, avaliou Constantino.