Constantino: Estimular demanda não funciona, é preciso acelerar reformas

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 30/08/2019 09h20
Marcos Corrêa/PRDe acordo com Constantino, o PIB do Brasil, apesar de acima do esperado, ainda está muito longe do pico

Falta muita coisa para o Brasil crescer mais e mais rápido. As reformas importantes, como a da Previdência, são fundamentais e levam tempo até surtir efeito. Esse dado de 0,4% foi bom, foi acima do esperado. Se viesse negativo seria recessão técnica. A construção civil surpreendeu positivamente com 2% de alta. Mas estamos muito longe do pico.

O cenário, com a herança maldita deixada pelo PT, é de terra devastada, de destruição. Nós estamos recuperando de uma forma muito lenta e isso gera angústia, afinal são quase 13 milhões de desempregos pelo país.

O que que falta? Acelerar reformas. Eu fico com medo quando começa essa sensação de que o PIBão se afastou, ficou mais distante. Normalmente quando dizem isso estão falando para estimular a demanda. Estão focando do lado da demanda, falando que o Governo olhou muito para o lado da reforma. Mas, com tanto desempregado assim, falta estímulo para o lado da demanda.

Impulso fiscal, reduzir juros na marra. Isso aí não funciona. Estimular demanda não funciona. O que tem que fazer é acelerar o lado das reformas. A tributária está aí, começando a ser discutida. Tem que aprovar rápido. Tem que privatizar mais e mais rápido. Reduzir o dreno, que é o lado do Estado, o gasto público, para poder permitir mais recursos para a iniciativa privada e para investimento.

Tem um calcanhar de Aquiles nisso. Se é para flertar com o Keynesianismo, que fica sempre com essa receita de estimular a demanda, o lado que está faltando é justamente o espírito animal dos investidores para tirar projetos da gaveta e investir mais.

O grande problema é a postura do presidente Jair Bolsonaro. O ambiente de instabilidade política, com essa estrategia de confronto constante, o bolsonarismo consegue criar o caos até mesmo dentro da própria direita. Parece até uma estratégia de monopolizar quem fala em nome da direita. Só que isso vai gerando antagonismo dentro daqueles que apoiam a pauta reformista da economia.

Se o presidente Bolsonaro se perdesse nas florestas e ficasse em silêncio, talvez estivesse um ambiente mais tranquilo para os investidores apostarem na tranquilidade política e investir mais.