Constantino: Governo precisa ficar alerta às pressões dos senadores

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2019 11h03
Agência SenadoPerda de votação da emenda representa derrota para o governo

Por 56 votos a 19, o plenário do Senado Federal aprovou a reforma da Previdência em primeiro turno. A sessão, porém, terminou com um gosto amargo para o governo. A oposição, junto com senadores de centro, conseguiu aprovar o destaque que derrubava o trecho referente ao abono salarial.

“A aprovação foi um resultado positivo com aquele enorme porém. A perda da votação do destaque do abono, faltaram sete votos a favor do governo, representa uma perda de quase R$ 80 bilhões nessa economia prevista em dez anos. Então você vai desidratando. Desde o começo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falava em economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos, aí passa pela Câmara e já vem sangrando em R$ 933 bilhões, chega no Senado e já estamos falando em R$ 800 bilhões. Ainda é um número muito bom, se você lembrar os mais otimistas dos analistas do mercado, ninguém esperava muito mais do que isso, mas, no decorrer do processo, havia esperança de que fosse possível, sim, entregar uma economia maior.

Mais do que isso: da forma que aconteceu ontem, parece que o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, que está envolvido em questões delicadas do ponto de vista ético, foi alvo de busca e apreensão, ele teria sido perguntando pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, se dava para continuar a votação ou era melhor interrompê-la. Ele achou que dava para levar adiante e perdeu, ou seja: é sinal de que está faltando comunicação, falando sentir o pulso dos parlamentares.

O próprio secretário de Previdência, Rogério Marinho, lamentou depois, dizendo que alguma coisa errada está acontecendo e o governo precisa se reorganizar. Ou seja, se continuar assim, é possível que sofra novas derrotas pela frente, lembrando que os senadores estão ameaçando até mesmo adiar a votação porque cobram que o governo não estaria entregando o que foi prometido em verbas, emendas e na decisão do pacto federativo – tudo gerando um momento de apreensão para o governo e para a sociedade”, disse Constantino.