Constantino: Grande rotatividade em seis meses de Governo gera apreensão, mas pode ser natural

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 17/06/2019 06h25
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOJoaquim Levy entregou carta de demissão neste domingo (16) e deixou presidência do BNDES

Após críticas feitas pelo presidente Bolsonaro, que chegou a dizer que estava “por aqui” com ele e que sua cabeça estava a prêmio, Joaquim Levy entregou carta de demissão neste domingo, deixando a presidência do BNDES. O ataque de Bolsonaro veio após a nomeação de um diretor ligado ao PT, sendo que o próprio Levy foi do governo Dilma. Mas por se tratar de um bom quadro técnico, que goza da confiança de Paulo Guedes, Bolsonaro engoliu a indicação. Mas chegou ao seu limite agora, até porque sua promessa de campanha, de abrir a “caixa preta” do banco, aparentemente ficou em segundo plano.

Segundo O GLOBO, entre os nomes mais cotados para substituir Levy estão Solange Vieira, atual superintendente da Susep, Salim Mattar, secretário de Privatizações, Carlos da Costa, secretário de Produtividade e Emprego, e Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho de Administração do BNDES. São todos bons nomes, sem dúvida. Qualquer nome com esse perfil mais técnico e alinhado à meta de reduzir gradualmente o papel do banco de fomento será bem visto pelo mercado. O problema talvez esteja mais na forma como Bolsonaro vem demitindo ministros, com seu jeito mais direto de falar antes de conversar em reservado com os subalternos, fritando quem não considera tão leal. A grande rotatividade em apenas seis meses de governo é outro fator que gera apreensão, mas pode ser tido como natural numa gestão que contava com poucos quadros técnicos, já que o crescimento do próprio PSL foi meteórico na esteira do bolsonarismo.

A troca de comando no BNDES em si, portanto, não é tão relevante. O deputado Paulo Eduardo Martins fez, porém, o comentário mais sensato sobre o assunto: “Muitos lamentam a saída de Joaquim Levy do BNDES. Eu lamento a existência desse banco”. De fato, o BNDES se transformou no maior instrumento de transferência de recursos de trabalhador para ricos empresários, que “investem” em lobby em Brasília para garantir subsídios. Infelizmente, o BNDES e outras estatais fazem parte da lista de empresas que não serão vendidas durante o governo Bolsonaro. O estado continua sendo empresário e banqueiro, o que não faz sentido algum. Privatize Já!