Constantino: Na ausência de esquerda organizada, bolsonaristas descolam oposição dentro do PSL

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 16/10/2019 10h21
Alan Santos/PRJair Bolsonaro tenta, por meios legais, tomar partido de Luciano Bivar

Parece que está descartada qualquer solução pacífica. Estamos diante de uma guerra civil do PSL onde todo mundo atira em todo mundo e ninguém tem muita razão ou, ao contrário: todos tem alguma razão.

O presidente Bolsonaro está preocupado com o uso dos recursos públicos, com a casa desarrumada, o laranjal e coisa que podem afetá-lo. Mas é uma preocupação seletiva.

Ele mantem o seu ministro que também é acusado da mesma prática de laranja, o filho dele tem problema no Rio de Janeiro e isso não o incomoda. O uso dos recursos do partido é algo questionável, mas pra usar mais de R$ 1 milhão para fazer o convescote não o incomodou, usar R$ 300 mil para pagar sua advogada também não o incomodou. Foi um dado, inclusive, divulgado pelo prórpio Bivar.

Estão em trocar de tiros à queima roupa. Houve uma obstrução do próprio PSL, partido do presidente, na votação de uma Medida Provisória do Governo. Isso mostra o grau da animosidade que está dentro do partido.

O delegado Waldir, que é próximo da turma do Bivar mas é líder do Governo na Cãmara, diz que tentou botar panos quentes mas, na prática, mostrou nas entre-linhas que há um tratamento diferenciado com a turma do Bolsonaro.

O resumo dessa ópera é que o principal partido da Câmara, da base do Governo, está em frangalhos. Isso é obvio que pode afetar a governabilidade.

O Bolsonaro não vai sair a principio, ele está tentando todas as manobras possíveis para tomar o partido de Luciano Bivar pelas normas legais. Ele não quer perder o imenso fundo partidário que ele se sente responsável por ter criado dentro de um sistema eleitoral que permite esse tipo de coisa.

Essa guerra está longe do fim e é muito ruim pro Governo, pro partido, pro Brasil. Temos reformas muito importantes ainda em curso e parece que o presidente está mais preocupado com essas questões prosaicas do que com os rumos do país.

Hoje tem um editorial do Estadão alertando exatamente sobre isso, falando que ainda há esperanças com base em uma pesquisa da XP. A reprovação do Governo é muito alta, mas andou caindo um pouco e as pessoas estão com expectativa de que Bolsonaro vai conseguir mostrar o rumo, deixar as questões menores de lado e focar no Brasil.

Temos muita coisa, temos muita pressa. A economia não retomou ainda, temos mais de 12 milhões de desempregados. De fato, o presidente e seu núcleo parecem se perder nessa picuinhas, nessas guerras constantes. Estamos vendo nas redes sociais o filho do presidente, Carlos, enlouquecido e atirando em todo mundo, criando criar guerra onde não há.

O que espanta é que, na ausência de uma oposição organizada e forte da esquerda, o próprio núcleo bolsonarista conseguiu descolar uma oposição dentro do partido do presidente. O quão irracional pode ser uma coisa dessas, mas é o que vimos.

O PSL está em guerra civil e isso não vai acabar bem.