Constantino: Na prática, o que muda com os atos do dia 26?

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2019 09h07 - Atualizado em 27/05/2019 09h54
Luciano Freire/Estadão Conteúdoas a turma mais cética poderá questionar: o que isso muda na prática? Rodrigo Maia vai tremer com a voz das ruas? O Centrão vai mudar de postura?

Foram atos expressivos, não só pela quantidade de gente, mas pela capilaridade. As manifestações a favor do governo e sua pauta reformista tiveram sucesso, em suma. É positivo para o governo, porém? Não há consenso aqui. É possível ver o copo meio cheio ou meio vazio.

O próprio presidente fez discurso sobre o protesto a favor como indicativo de que o povo mandou recado aos adeptos da velha política e está preocupado com o futuro da nação. De fato, ver tanta gente endossando nas ruas agendas como a reforma previdenciária é algo interessante e esperançoso. O copo meio cheio, portanto, é que houve uma demonstração de força de Bolsonaro, reforçando o recado das urnas.

Mas a turma mais cética poderá questionar: o que isso muda na prática? Rodrigo Maia vai tremer com a voz das ruas? O Centrão vai mudar de postura? A aprovação da reforma dispensa agora a articulação política com o Congresso? O “povo” vai ficar nas ruas por mais 3 anos e meio? Esse povo é mais povo do que aquele que também encheu as ruas para gritar contra o governo recentemente, chamado de idiota útil pelo presidente?

Enfim, os conservadores mais céticos e os liberais apontam para a inviabilidade de se governar como se fosse oposição, com povo nas ruas o tempo todo. O próprio uso que Bolsonaro fez das manifestações, que não foram tão espontâneas assim, mas convocadas por sua base fiel, mostra que uma das possibilidades de efeito desses atos é intensificar o clima de confronto entre os poderes, o que pode não ser positivo para as reformas.

Os bolsonaristas mais fanáticos, do tipo que quer fechar o Congresso, se sentiram fortalecidos com os atos, mesmo que o presidente tenha deixado claro que não havia espaço para essas bandeiras ali. Mas nas redes sociais se viu essa ala ouriçada, animada. Alguns querem uma ruptura institucional mesmo, e outros chegaram a afirmar que é para manter a faca no pescoço dos parlamentares, mesmo que isso signifique travar o país: o povo colocará a culpa no Congresso. Mesmo? Se a economia continuar patinando e o desemprego aumentar, alguém acha que o povo vai poupar o governo da crise?

Em resumo, as manifestações atenderam às expectativas dos organizadores. Resta saber o que isso vai significar na prática para o Brasil