Rodrigo Constantino: Corte no Sistema S é desejável, mas mais relevante é reforma da Previdência

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 19/12/2018 08h38 - Atualizado em 19/12/2018 09h41
Fernando Frazão/Agência BrasilA reação às propostas de mudança na Previdência é sempre violenta, forte, reacionária

Talvez o ouvinte não saiba, mas Paulo Guedes foi meu chefe por 6 anos quando atuei no mercado financeiro. E o que posso dizer sobre ele, além de ser um economista liberal brilhante, é que procura sempre ser justo.

Esse corte proposto no Sistema S é muito bem-vindo nesse sentido. Tivemos, com o governo Temer, uma reforma muito importante com o fim do nefasto imposto sindical, que afetou diretamente CUT e companhia, acostumados a viver dos recursos compulsórios dos trabalhadores e lutando mais pelos interesses dos sindicalistas e seus companheiros políticos de esquerda do que dos próprios trabalhadores.

Nada mais natural que os sindicatos patronais paguem uma parte da conta dos ajustes também. Ano passado foram quase R$ 20 bilhões em contribuições para as empresas, para alimentar o Senac, Senai e tudo mais.

A qualificação técnica para trabalhadores é fundamental, ninguém discute. Mas por que a iniciativa privada não pode arcar com isso? Pode sim, e deve. Será inclusive mais eficiente, pois quando o consumidor paga diretamente do próprio bolso o valor cheio, costuma cobrar mais pelo resultado também.

Dito isso, o corte no Sistema S é desejável, mas mais simbólico do que qualquer coisa, ainda que não sejam montantes insignificantes. O mais relevante, porém, continua sendo a reforma da Previdência. Sem uma decente, que corte na carne os privilégios do setor público, a economia não vai decolar, apenas terá voos de galinha.

Como o especialista em previdência Fabio Giambiagi disse, contudo, a sensação que temos é a de que estamos no “eterno retorno” à estaca zero, como Bill Murray naquele filme “O Dia da Marmota”, em que acorda todo dia no mesmo dia, aprisionado no tempo.

A reação às propostas de mudança na Previdência é sempre violenta, forte, reacionária. “E vamos tratar do assunto, no tempo da política, ‘sem afobação’. Não é difícil entender por que o Brasil perdeu o bonde da História”, conclui Giambiagi.

Triste, mas verdadeiro. Espero que Bolsonaro e Guedes consigam de fato quebrar esse feitiço para finalmente avançarmos no tempo.