Rodrigo Constantino: Investigações sobre Flávio Bolsonaro devem continuar, a direita defende isso

  • Por Jovem Pan
  • 24/01/2019 19h06
Reprodução/FlickrHá indícios fortes de sujeira nesse caso todo do Queiroz

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira (23) em entrevista à agência Bloomberg, em Davos (Suíça), que eventuais irregularidades cometidas por seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), terão de ser punidas. “Se por acaso ele errou e isso for provado, lamento como pai, mas ele terá de pagar o preço por esses atos que não podemos aceitar”, afirmou Bolsonaro.

A fala de Bolsonaro faz todo sentido e não precisa ter segundas intenções. Seria apenas coerência de quem defendeu a vida toda a importância da honestidade na vida pública e a punição aos que cometeram delitos. Por essa ótica, o presidente estaria sendo firme em suas convicções.

As investigações devem continuar, e a maioria da direita defende isso, mesmo sabendo do oportunismo da esquerda e da grande imprensa, que sempre pregou o “Ele não”. Eis o abismo moral intransponível entre a esquerda e a direita, ou boa parte dela.

Afinal, pode ser apenas coerência do presidente, mas pode ser também uma estratégia de se blindar e proteger o governo. Quando lembramos que Flavio passou um dia com o pai neste fim de semana, surge uma dúvida: seria o caso de Jair ter conhecimento de que vem chumbo grosso aí, e por isso estaria já queimando seu soldado para se blindar? Combatentes costumam aceitar melhor o sacrifício pessoal em prol da “causa”. O pai joga o filho na cova dos leões para se salvar. Será? Afinal, que soa estranho um pai não garantir sua total confiança na inocência do filho, isso soa!

Existe outra opção, claro: ele sabe que o filho nada fez e lançou esse discurso para colher os dividendos políticos: “viram como sou intransigente com a corrupção? Eu estava disposto a punir até meu próprio filho?!” Essa alternativa, porém, parece menos provável. Há indícios fortes de sujeira nesse caso todo do Queiroz, do gabinete do Flavio. Acho mais crível que Bolsonaro esteja preparando o terreno, a narrativa, para quando tiver que queimar seu soldado mesmo, e assim tentar proteger o restante da família.

O tempo dirá…