Rodrigo Constantino: Ou Bolsonaro atende base minoritária ou ao Brasil, que tem pressa

  • Por Rodrigo Constantino/Jovem Pan
  • 29/03/2019 10h15 - Atualizado em 29/03/2019 10h17
Alan Santos/PRJá que os bolsonaristas gostam de metáforas de guerra, seria bom lembrar que um general vencedor sabe priorizar as batalhas importantes para se vencer a guerra

Depois de dias de crise com o Legislativo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (28) que as recentes polêmicas protagonizadas por ele e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, são “página virada”.

Mesmo com as declarações entre ambos tendo sido mais ríspidas nos últimos dias, Bolsonaro disse que esse tipo de situação “acontece”. “Página virada, um abraço, Rodrigo Maia. O Brasil está acima de todos. Acontece, é uma chuva de verão”, afirmou Bolsonaro.

Enquanto isso, Joice Hasselmann promoveu um café da manhã entre Sergio Moro e Rodrigo Maia, para que também se entendessem. O nome disso é articulação, pragmatismo, deixar diferenças de lado em prol do país, no momento.

Há algo que Bolsonaro poderia aprender até mesmo com um sujeito execrável como Lula: mais moderação e pragmatismo no começo de governo, para que seja possível, depois, avançar com a agenda conservadora. É um alerta que vários têm feito, incluindo conservadores.

Já que os bolsonaristas gostam de metáforas de guerra, seria bom lembrar que um general vencedor sabe priorizar as batalhas importantes para se vencer a guerra, sabe recuar quando é preciso, aliar-se até mesmo a inimigos quando necessário, tudo com o foco naquilo que é o essencial: vencer a guerra no final. Se ele tentar partir para o tudo ou nada logo no começo, confundindo cada batalha com a própria guerra numa atitude de vida ou morte, acabará colhendo apenas derrota.

Parece, ao que tudo indica, que a ficha pode estar caindo para Bolsonaro. Ele precisa se encontrar com mais parlamentares, conversar mais, dialogar, explicar a reforma para o país, arregaçar as mangas e demonstrar que esta é realmente sua prioridade. Ao fazer isso, vai despertar perplexidade em alguns bolsonaristas.

Os mais fanáticos darão um jeito de apoiá-lo, pois é o que sempre fazem, mesmo caindo em contradição. Outros talvez fiquem decepcionados com o pragmatismo do “mito”, mas paciência. É atender a essa base minoritária ou ao Brasil, que tem pressa. Que Bolsonaro finalmente entenda o que está em jogo aqui…