Alvo de protestos, B3 não é culpada pela pobreza

MTST devia protestar contra a lentidão da aprovação de reformas em Brasília, como a tributária, que poderia deixar o país mais eficiente, ou a administrativa, capaz de eliminar privilégios no serviço público

  • Por Samy Dana
  • 25/09/2021 10h00
LUCAS MARTINS/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDOMTST ocupou Bolsa de Valores nesta quinta-feira, 23, para protestar contra a fome

Ao protestar nesta quinta-feira, 23, contra a fome no país, um grupo de manifestantes escolheu como alvo a sede da B3, a Bolsa de Valores. Posicionados numa área de acesso público, abriram uma bandeira do Brasil onde estava escrito a palavra “fome” em cima de onde aparecem os dizeres ordem e progresso. Também levaram ossos de boi, que, sendo vendidos em vez de dados pelos açougues, como eram antes, se tornaram um símbolo da situação dos brasileiros mais pobres. É verdade, a pobreza triplicou no país. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de brasileiros pobres saltou de 9 milhões em fevereiro de 2020 para 27 milhões neste ano por conta da pandemia. Mas, ao escolher a B3 como culpada pelo aumento da miséria, os manifestantes escolheram o alvo errado.

Se o número de bilionários dobrou no país, como foi citado, a culpa não é da Bolsa de Valores e nem dos investidores. Muito menos da inflação, outra razão do protesto. Ao lançar ações na B3, as empresas não estão alimentando a especulação financeira. É uma forma de captar investimento mais barato, sem precisar pagar juros aos bancos. Se levantam dinheiro mais barato, podem criar mais empregos beneficiando a economia como um todo. E não só empresas: o próprio Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) levantou na semana passada R$ 17,5 milhões no mercado financeiro para financiar a agricultura familiar. Bolsa de Valores, ao contrário do que muitos pensam, não é cassino e nem as ações são o equivalente da roleta.

Se o patrimônio dos investidores aumentou junto durante à pandemia, cresceu também a arrecadação do governo e a capacidade de financiar programas sociais, como o auxílio emergencial e o novo Bolsa Família. Se o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) quer apontar culpados, devia protestar contra a lentidão da aprovação de reformas em Brasília, como a tributária, que poderia deixar o país mais eficiente, ou a administrativa, capaz de eliminar privilégios no serviço público. Em todos os casos, contribuiria para um combate mais efetivo à pobreza. Apontar investidores como malvados especuladores é um erro muito comum, mas não há economia próspera e saudável sem uma Bolsa de Valores que também seja próspera e saudável.

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