Apesar das previsões, 2022 ainda não está perdido

Geralmente, no começo de ano, os números costumam ser diferentes do que os que serão conhecidos no final, já que as projeções levam em conta o cenário do momento em que são feitas

  • Por Samy Dana
  • 05/01/2022 14h05
PixabayProjeções para a economia são pessimistas atualmente, mas podem mudar

No primeiro Boletim Focus do ano, divulgado na segunda-feira, os economistas do mercado financeiro reduziram a previsão de crescimento no ano do PIB, o Produto Interno Bruto. Ia crescer 0,42%, segundo a última projeção, do final de dezembro. Agora, conforme o mercado, vai crescer 0,36%. Não são os piores números. Também na segunda, o banco BTG Pactual previu que a economia deve crescer zero esse ano, e já há instituições que falam em queda do PIB. Mas será que o ano está mesmo perdido? Não é o que sugere o histórico dessas previsões.

Previsões          PIB                Inflação

Jan.                 +3.5%                +3,4%

Dez.                +4,5%            +10,42%

Há um ano, o mesmo relatório Focus projetava que o PIB iria subir 3,5% em 2021. Deve ter fechado 1 ponto percentual acima. Já a inflação, de 3,4%, seria três vezes menor do que os 10,42% em que terminou dezembro. Geralmente, no começo de ano, os números costumam ser diferentes do que serão conhecidos no final. São erros tão comuns que um estudo do Federal Reserve, o Banco Central americano, tentou entender por que ocorrem. O FED comparou vinte anos de projeções sobre desemprego, juros e crescimento da economia, e o resultado foi que acertar essas previsões é muito difícil. Uma variável como o desemprego mexe com a inflação, os juros afetam o crescimento e por aí vai.

Por conta desse levantamento e de outros com a mesma conclusão, há quem diga que os economistas deveriam parar de fazer previsões. É um exagero. Projeções levam em conta o cenário quando são feitas. Um exemplo é o surgimento de variantes que causam a Covid-19. Em novembro, ninguém tinha ouvido falar da Ômicron, agora afeta países e economias no mundo todo. Friedrich Hayek, ganhador do Nobel de economia, costumava lembrar que economistas têm dúvidas. O problema, segundo ele, é que quando escrevem, muitos preferem uma linguagem que trata como certeza o que é probabilidade. Economistas são humanos, confiam demais nas próprias conclusões, seguem a manada e acreditam mais nas informações que confirmam suas opiniões. Por isso, cometem erros, como todo mundo. O cenário hoje é ruim, mas não quer dizer que o ano está perdido. Um dado que venha melhor do que o esperado terá o efeito de fazer a economia melhorar como um todo. E isso, por enquanto, não está nas projeções.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.