Atraso na vacina pode afetar recuperação da economia

Previsão da Moody’s de 3,3% para o crescimento da economia no ano se baseia na expectativa de que a campanha de imunização vai começar em breve

  • Por Samy Dana
  • 16/01/2021 10h00
Erdem Sahin/EFECampanha de imunização já começou na Turquia, e vacina, a CoronaVac, é a mesma que será usada no Brasil

Diversos países, como Reino Unido, Israel, até Chile e Argentina, já começaram a vacinação contra a Covid-19. O Brasil, por enquanto, não é um deles. Já tivemos aqui a divulgação de eficácia de vacinas e pedidos de uso emergencial feitos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Falta a aprovação e ainda ser marcada a data para a campanha começar. Mas o atraso que estamos vendo pode custar caro. Na quarta-feira, 13, a principal analista no Brasil da agência de risco Moody’s alertou que, se a vacinação demorar, a recuperação da economia poderá atrasar.

A previsão da Moody’s de 3,3% para o crescimento da economia no ano se baseia na expectativa de que a vacina vai chegar logo à população. A imunização em massa limitará o risco de que sejam necessários novos fechamentos da economia, com quarentenas e outras medidas, para evitar o aumento dos casos. Se a vacina atrasa, cresce o risco de a economia ser prejudicada, como voltamos a ver agora em Manaus e em Belo Horizonte, para evitar a sobrecarga do sistema de saúde. Mesmo quando a vacinação começar, será preciso rapidez para se alcançar a imunidade do rebanho. É o percentual da população que deve estar imunizado para a epidemia ser controlada.

Falava-se em 60% ou 70%. Mas, considerando a média da transmissão do vírus aqui no Brasil, daria 35% da população. Supondo um número básico de reprodução conservador R0 = 1,4 (10 pessoas infectadas passa o vírus para outras 14), o percentual de imunizados seria de 50%. Mas, considerando as estimativas do R(t), isto é, a média de transmissão ao longo do tempo, cada pessoa contaminada passa o vírus para 1,4, e a quantidade de vacinados para que a epidemia esteja sob controle cai na mesma proporção. O tempo para a economia voltar ao normal depende deste limiar ser atingido. Com a vacina da Pfizer/ BioNTech, que tem 95% de eficácia, seria preciso vacinar menos de 37% da população. Praticamente o mesmo percentual da vacina da Moderna, que tem 94,1% de eficácia. Já a vacina da Sinopharm, com 79%, precisaria ser aplicada em 44% dos brasileiros.

             Vacina              Eficácia       Vacinados

  1. Pfizer/BioNTech        95%                36,9%
  2. Moderna                     94,1%             37,2%
  3. Sinopharm                  79,3%             44,2%
  4. Astrazeneca               70,4%             49,8%
  5. Coronavac                  50,38%            69,5%

 

Mas essas não são as vacinas centrais na estratégia brasileira. Nosso plano de imunização se baseia na CoronaVac, produzida pelo Butantan, e na AstraZeneca, que vão exigir mais gente vacinada. Esta última necessita que 49,8% dos brasileiros sejam imunizados. Já a CoronaVac exige que a imunização atinja 69,5% da população. Além de vacinar muitas pessoas, será preciso vacinar rápido, evitando os gargalos vistos na Europa, que atrasaram a imunização no continente. Uma verdadeira operação de guerra, mas o esforço tem um prêmio, além da saúde da população: a recuperação da economia. E isso tudo supondo que os vacinados que não desenvolvem também não transmitem.