Ganhadores do Nobel de Economia revolucionaram os leilões

Estudos de Paul Milgrom e Robert Wilson criaram vários modelos de leilões, adotando diferentes formatos que beneficiam vendedores, compradores e a sociedade em geral

  • Por Samy Dana
  • 13/10/2020 08h57
EFE/EPA/ANDREW BRODHEAD/STANFORDGanhadores do Nobel de Economia

Prêmio Nobel costuma ser uma ótima ocasião para se conhecer as ideias econômicas influentes, mas às vezes pouco conhecidas fora do circuito acadêmico. A escolha dos dois ganhadores deste ano é um destes casos. Nesta segunda-feira, a Academia Real de Ciências da Suécia entregou o Nobel de Economia a dois americanos, Paul Milgrom e Robert Wilson, devido aos estudos desenvolvidos pela dupla sobre como funcionam os leilões. Os dois são professores da Universidade de Stanford e conhecidos por terem criado o formato usado pelo governo americano no leilão de frequências de rádio para operadoras de telecom nos Estados Unidos, nos anos 90.

Um leilão tem um formato que todo mundo conhece. Imagine que alguém resolva leiloar um objeto raro, como a camiseta autografada por todo um time do Corinthians campeão mundial. Ou um quadro do pintor Pablo Picasso. O vendedor vai querer o maior preço possível. O comprador, ao contrário, quer reduzir o preço. Mas há dois modelos concorrentes: o inglês, que é mais conhecido, em que há um preço mínimo e as pessoas dão lances até um valor final e o holandês, em que ocorre o contrário, começa com o valor mais alto e o preço vai caindo até alguém aceitar pagar.

Uma das descobertas da dupla foi de que as ofertas tendem a ficar abaixo do valor do que é leiloado devido à preocupação com a chamada “maldição do vencedor”, que ocorre quando se paga mais do que o objeto vale e o leilão acaba em prejuízo. O trabalho de Wilson demonstra que, para evitar que isso ocorra, o melhor modelo é o inglês, já que cada participante acompanha melhor o valor do que está sendo vendido. Já os estudos de Paul Milgrom explicam que em cada leilão existe um valor comum e um valor privado. Se eu compro um carro antigo, por exemplo, existe o valor pelo qual eu posso depois revendê-lo, mas existe também o valor para mim de dirigir um carro antigo ou tê-lo na garagem. Esse é o valor privado.

Mas nem sempre se trata só de dinheiro. O governo, ao fazer leilões, pode estar interessado em diminuir as emissões de gás carbônico, oferecer um serviço aéreo melhor para a população ou algum outro benefício para a sociedade. Estes itens são mais complexos e difíceis de vender, muitas vezes oferecidos em lotes. Como resposta, os dois criaram vários modelos de leilões, adotando diferentes formatos que beneficiam vendedores, compradores e a sociedade em geral, desde que sejam oferecidas informações sobre os valores estimados de cada participante. Como resultado, o risco de pagar mais caro desaparece. E, como curiosidade, ao comentar o prêmio, Wilson, um dos ganhadores confessou: ele mesmo nunca participou de um leilão.