Mercado aposta em Selic hoje a 5,25%

Com aumento, previsões agora são de que a taxa básica de juros feche 2021 em 7% ao ano, muito acima do que era esperado há três meses

  • Por Samy Dana
  • 04/08/2021 11h21
Divulgação/Instagram Banco do CentralMembros do Banco Central se reúnem a cada 45 dias para definir os rumos da política monetária nacional

Começou ontem, em Brasília, a reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Encontro que termina hoje com o anúncio, no início da noite, da nova taxa de juros da economia. Atualmente, a Selic, como é chamada a taxa de juros, está em 4,25% ao ano e vem sendo elevada desde março em 0,75 ponto percentual a cada reunião do Copom. No último anúncio, em junho, o comitê também indicou que hoje seria anunciado novo aumento de 0,75, mas nas últimas semanas virou quase unanimidade no mercado que o aumento será maior. A maioria dos bancos e corretoras apostam em alta de 1 ponto percentual, segundo uma pesquisa do jornal “Valor Econômico”. De 95 casas consultadas, 75 projetam que a Selic vai hoje a 5,25% ao ano. Para outras vinte, fica em 5% ao ano, ou seja, a nova elevação seria de 0,75 ponto percentual. Efeito da alta forte do IPCA, índice do IBGE que mede a inflação oficial, que ficou em 0,72% por cento em julho.

No acumulado dos doze meses, a inflação bateu em 8,29%. Foi puxada pelo reajuste da conta de luz, de quase 5% no mês passado. E mostrou estar se espalhando pela economia. As apostas do mercado agora são de que a Selic feche 2021 em 7% ao ano, muito acima das previsões de três meses atrás. Falava-se na Selic a 4,5% ou 5% em dezembro, e que esses 7% só seriam atingidos no final do ano que vem. Muito da alta da inflação, que tem subido no mundo todo, se deve à desorganização da produção mundial devido à Covid-19 e ao aumento das compras pela China. Principalmente no caso do Brasil, que é grande exportador de commodities para o país. O Banco Central, assim como vários economistas, permanece com a visão de que é um fenômeno temporário e que no ano que vem teremos uma inflação mais comportada. No entanto, a alta da Selic de forma mais drástica é necessária nesse momento.