Faculdades precisam identificar e punir psicopatas para que outros Giovannis Bezerras não virem médicos

Atual estrutura das universidades não permite que professores reprovem alunos que apresentem qualidade ruim ou quadro psiquiátrico 

  • Por Sergio Cimerman
  • 13/07/2022 14h21 - Atualizado em 13/07/2022 14h42
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO MUlheres levantam cartazes contra Giovanni Bezerra no Cremesp Mulheres realizam ato no Cremesp pela cassação do registro do médico anestesista Giovannini Bezerra

Nesta semana, estamos voltados à discussão do estupro pelo médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra, no Rio de Janeiro, um fato nojento e repugnante. Como pode um médico tomar tal atitude? Ele fez juramento de Hipócrates em sua formatura. Fazer o mal a alguém totalmente sedado é algo impensável, ainda mais um estupro. Distúrbio de comportamento? Com toda segurança, sim. Como um cidadão desse consegue se formar em uma faculdade de medicina? Como ninguém nota algo diferente? A resposta pode ser fácil: inúmeras faculdades despreparadas na formação. Escolas caça-níqueis, onde o aluno tem o poder financeiro de conseguir se manter, a despeito de qualquer situação. O professor não consegue aplicar a retidão de reprovar este cidadão por notar qualidade ruim ou quadro psiquiátrico. 

Muitas vezes, a vítima entra com ação por assédio moral, mas não se cumpre a medida da reprovação. As leis imperativas no Brasil beneficiam o criminoso. Tem de existir uma medida mais dura para estes crimes (e tantos outros). Tínhamos um ministro da Justiça que comungava desta linha de pensamento: Sergio Moro. Perdemos alguém que poderia, neste momento, colaborar, criar algo sustentável e nos apontar soluções contundentes. 

Voltando ao caso do anestesista, devemos parabenizar as enfermeiras que conseguiram realizar as filmagens que nos chocam, mas que serão fundamentais na acusação deste individuo. As medidas de punição no Conselho de Medicina já foram iniciadas com rapidez para a certeza da exclusão desta pessoa. As mulheres são frágeis, dóceis e acabam se deparando com situações bizarras no cotidiano. Assédio e estupro caminham em paralelo com estes psicopatas da sociedade. Temos de punir, sim, toda e qualquer agressividade. O ex-presidente da Caixa Econômica Federal sabe bem o que significa assediar, segundo as mulheres que o denunciaram. Inúmeros casos eram abafados por medo ou insegurança das vítimas. 

Acusar que a mulher seduz com roupas sensuais ou algo parecido não justifica realizar qualquer ato contra a vontade dela. Vale ainda o ditado: quando um não quer, dois não fazem. Respeito sempre deve existir. Caráter é o berço da educação. Espero realmente que esta “pessoa”, se é que é possível chamar assim, seja condenada. Que mais vítimas se pronunciem para que a Justiça seja dura em júri popular. Que Bezerra seja penalizado, como foram João de Deus, Roger Abdelmassih e tantos outros. Vamos dizer não a violência e ao crime. Vamos deixar um mundo melhor aos nossos filhos e netos. Que impere a justiça e a retidão do ser humano!

   

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.