Vamos vacinar: Tomar as duas doses é fundamental para a eficácia das vacinas

Quanto mais a população for imunizada, mais perto de um possível normal estaremos; é preciso combater negacionistas e anti-vacinas, mostrando dados transparentes de vidas salvas

  • Por Sergio Cimerman*
  • 07/06/2021 14h14
EFE/Joédson AlvesProfissionais da saúde vacinam pessoas em posto de imunização drive-thru em São Paulo

Começando como colunista na Jovem Pan para abordar temas de saúde, mas com enfoque na pandemia da Covid-19, nada melhor do que tecer comentários impactantes sobre a nossa vacina do Butantan. Fomos informados por vários veículos de imprensa sobre a performance da CoronaVac em países como Chile e Uruguai, nossos vizinhos do Mercosul. Os dados apontam uma excelente resposta quanto a efetividade, reduzindo mortes e diminuindo internações hospitalares, porém não específico para uma análise em idosos. São dados expostos à comunidade científica pelos países, mas ainda sem uma publicação em revista qualificada. Com certeza estão a preparar o vasto material e submeter para análise dos pares. Se confirmado, irá trazer esperança a todos com especial atenção ao nosso país. Por que comento isso? Devido a um artigo ainda em modo pré-print por pesquisadores nacionais sobre a CoronaVac, em especial atenção a faixa etária de idosos entre 70 e 80 anos. A resposta teria sido aquém do que almejamos. A efetividade global da vacina em maiores de 70 anos foi de 42% para prevenir o adoecimento, e existe uma clara tendência de diminuição da efetividade com a idade, sendo que nas pessoas acima de 80 anos essa efetividade pode chegar a 28%. Baseado nestes dados veio a baila em muitas discussões possível revacinação dos idosos. É importante ter cuidado com a interpretação dos dados, principalmente, para qualquer tomada de decisão precoce, pois essa é a primeira análise de eficácia ou efetividade da CoronaVac em todo o mundo na população de idosos.

Devemos lembrar também que com a idade existe a diminuição dos anticorpos. Fato este de conhecimento por parte dos médicos. Mais dados complementares são necessários, principalmente no que diz respeito à prevenção de hospitalizações e óbitos. Outro dado real visto no estudo é a necessidade de duas doses de vacina para garantir proteção suficiente para o novo coronavírus. Logo após estas informações somos tomados de esperança real e concreta: o Projeto Serrana, uma cidade do interior paulista, que vacinou sua população adulta (28.380 pessoas de um total de 45.644) com a CoronaVac, com duas doses, no intervalo preconizado de 28 dias. A adesão foi incrível: o entendimento da gravidade da doença por parte da população retornando para fazer a segunda dose em sua quase totalidade veio reforçar uma resposta de redução de hospitalização em 86% e óbitos em 95%. O que estes números denotam: sucesso e esperança. Reforçam que duas doses são fundamentais, como mostram todos os estudos clínicos e os de vida real.

Se esse projeto for multiplicado para todas as localidades do Brasil, logo estaremos tendo respostas a um possível normal mais rápido do que pensávamos. Para isto, precisamos vacinar incansavelmente nossa população e combater negacionistas e anti-vacinas, mostrando dados transparentes de vidas salvas. Todas estas notícias ótimas devem ser traduzidas em publicação científica e criando assim total transparência no discernimento de especialistas e leigos. Temos certeza de que o Instituto Butantan irá em momento oportuno nos brindar com os vários estudos concluídos e em curso. E para fechar as boas notícias, a OMS recomendou a CoronaVac no rol de todas as vacinas previamente aprovadas. Qual impacto? Abalizamento e confiança nos dados vão permitir que a comunidade europeia e os Estados Unidos possam avaliar a mudança na questão imigratória de turistas com a nossa vacina nacional/chinesa, quando formos liberados a viajar. Estamos no caminho certo. Vamos vacinar. E jamais esquecer as medidas protetivas.

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*Sergio Cimerman estreia nesta segunda-feira, 7, a sua coluna sobre saúde no portal da Jovem Pan. Cimerman é médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.