Vera: Fala de Bolsonaro sobre pai de Santa Cruz vai contra documento de seu próprio governo

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2019 08h18 - Atualizado em 30/07/2019 09h25
Marcos Corrêa/PRDocumento que atesta morte pelo Estado de pai de presidente da OAB foi assinado neste mês pelo governo federal

Ao fazer uma segunda aparição nesta segunda-feira (29), enquanto cortava o cabelo, para tentar justificar e dizer que tinha sido mal compreendido em sua fala sobre Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil  (OAB), Felipe Santa Cruz, o presidente Jair Bolsonaro, além de cometer um ultraje, mostra que não tem empatia e fala contra documentos oficiais emitidos por seu próprio governo.

No último dia 24 de julho, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos Políticos (CEMDP), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, emitiu o atestado de óbvio do então estudante Fernando. Nele, consta que sua morte aconteceu provavelmente em fevereiro de 1974, durante o período militar, em razão de morte não natural, ou seja, violenta, e em um contexto de perseguição. O documento, que também atesta que o corpo nunca foi encontrado, foi emitido nesses termos pelo governo federal, sob alçada do ministério de Damares Alves e decisão da Justiça.

Ao dizer que o pai do presidente da OAB havia sido morto pela própria esquerda e não pelo militares – “Não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece” -, Bolsonaro se coloca na condição de alguém sem nenhuma empatia, que comete ultrajes contra adversários, utilizando informações não confirmadas, não oficiais e sem testemunhas apenas para fazer oposição a um adversário político que, na época do acontecimento, tinha apenas dois anos.

É uma postura um tanto quanto questionável para um presidente da República rever dados históricos refutados por confissões, depoimentos e documentos oficiais reconhecidos pelo seu próprio governo apenas para contrariar um posicionamento da OAB, no caso Adélio Bispo, que estava amparado na lei.

Confira o documento: