Vera: Flávio contra CPI da Lava Toga reforça afastamento da base bolsonarista

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2019 08h26
Fábio Motta/Estadão ConteúdoEssa não é a primeira vez que a postura do senador é criticada pela militância e pela base do PSL

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entrou na berlinda desde o que presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, disse que pediu sua ajuda para convencer deputados da sigla a retirar suas assinaturas da CPI da Lava Toga, que acredita que ela vai contra os interesses do governo, que não pode contestar decisões judiciais.

Depois de convocar Flávio para a empreitada de convencer os outros a retirarem seus nomes, o caso ganhou imensa repercussão: o senador, que foi o único de seu partido a não assinar a CPI, ganhou a hashtag #AssinaFlávioBolsonaro, que alcançou o primeiro lugar nas menções do Twitter brasileiro, em um sinal de pressão da própria base bolsonarista. Bivar até tentou negar o pedido de ajuda, mas já era tarde demais.

Com isso, Flávio reapareceu aos olhos do público: ele não é formalmente investigado, mas tem ligações com o Fabrício Queiroz e teve movimentações atípicas encontradas em suas contas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), sendo, mais tarde, beneficiado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que sustou essa investigação a pedido da própria defesa do senador.

Comi isso, os próprios apoiadores do presidente especulam nas redes de que esse trabalho contra a CPI da Lava Toga feito por Flávio é uma forma de agradecer a essa decisão de Toffoli, e uma guinada na aproximação do bolsonarismo ao presidente do STF, antes muito criticado por ser próximo ao PT.

As críticas ao filho do presidente não são de hoje: na lei do abuso de autoridade, a atuação dele já havia sido questionada, uma vez que ele foi o único, dentro das bases do bolsonarismo, que não assinou um abaixo assinado entregue ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pedindo o veto integral do projeto.

Assim, mais uma vez, com a Lava Toga, Flávio age contra toda a ala do PSL e contra os desejos dos bolsonaristas nas redes sociais, demonstrando um afastamento da sua plataforma de campanha. Vale lembrar, também, que essa narrativa do “Bolsonaro anticorrupção” foi algo surgido durante a corrida eleitoral, construído para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), e não algo que já estava em sua trajetória.

Pelo contrário: ao longo de seus mais de 20 anos de mandato, Bolsonaro pai defendia pautas corporativistas, de militares, policiais e outros tipos de servidores, além do aumento de salário para essas categorias e outras pautas ligadas à elas, e não ao combate à corrupção.