Vera: Moro extrapola mais uma vez e mostra que está no comando de investigação da qual é um dos alvos

  • Por Jovem Pan
  • 26/07/2019 08h02
EFEPara a comentarista, é hora de ministro parar de dar declarações relacionadas às investigações

Desde que o hackeamento de autoridades foi descoberto e alguns dos hackers, presos, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, tem avisado essas vítimas de que todo o material encontrado pela Polícia Federal (PF) será destruído. Ao fazer isso, o ministro extrapola, mais uma vez, os limites de sua função, e se precipita, demonstrando claramente que está atuando diretamente em uma investigações que o interessa.

Essa não é a primeira vez que Moro passa dos limites. Ao analisarmos os diálogos atribuídos a ele na “Vaza Jato”, já é possível observar um então juiz muitas vezes extrapolando a sua função, querendo coordenar o jogo ao instruir procuradores, se queixando de certas ações, influenciando outras e tentando provocar certas reações nos envolvidos. Antes, já havia extrapolado, também, quando divulgou o conteúdo do grampo feito da conversa entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, algo feito para causar certa reação política.

Agora, mais uma vez, ele ultrapassa suas atribuições e limites como ministro duas vezes: primeiro indo ao Twitter comemorar e parabenizar a PF pela prisão dos hackers antes da divulgação de qualquer informação pela instituição, um sinal claro de que ele está acompanhando tudo pelos bastidores, algo que não deveria fazer. Segundo, por essa comunicação sobre uma suposta destruição de provas, que mostra que ele está no comando de investigações na qual é um dos alvos.

A destruição – ou não – de provas é algo que precisa ser decidido pela Justiça, e Moro já não é mais juiz. As mensagens são provas tanto da ação criminosa dos hackers como, se provadas autênticas, podem também ser provas de má conduta durante a Operação Lava Jato. Mais uma vez, Moro se precipitou e demonstrou que interfere em investigações.

Essa é a hora em que ele deveria se recolher e parar de dar tantas declarações sobre algo diretamente ligado à sua figura.