Oposição do PT à PEC da Blindagem irrita centrão e deve inviabilizar derrubada da anistia pelo governo
Auxiliares do presidente Lula e integrantes da base governista passaram a temer a aprovação da urgência do projeto de lei que anistia presos e condenados por tentativa de golpe de estado, após o PT, partido do presidente, se posicionar contra a PEC da Blindagem. A postura dos petistas teria irritado integrantes do Centrão, que agora estão menos propensos a ajudar o governo e votar contra a anistia.
Ao contrário do posicionamento do PT, a liderança do governo liberou a bancada para votar como quiser na PEC. A proposta prevê a necessidade de autorização dos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado para que processos criminais sejam abertos contra parlamentares e presidentes de partidos. Mesmo o presidente Lula sendo do PT, a base governista se divide entre petistas mais radicais e aqueles que são mais abertos ao diálogo com parlamentares de centro.
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Inicialmente, integrantes do governo simpáticos a esse diálogo haviam feito uma negociação com partidos de cento para que os aliados de Lula não fossem oficialmente contrários a PEC da Blindagem. Em troca, o Centrão poderia votar contra a urgência da anistia, ou seja, de forma alinhada com o governo.
De acordo com integrantes do Planalto, a escolha do PT, liderado por Lindbergh Farias (PT-RJ), de se posicionar contra a matéria que tem potencial de salvar parlamentares do Centrão investigados pela justiça, fechou as janelas de diálogo para a anistia. A interpretação de parlamentares do centro é que o posicionamento do PT pode incentivar outros deputados de esquerda a serem contra a PEC. Se o partido tivesse liberado a bancada, deixando a posição oficial de lado, as chances de terem votos favoráveis à PEC da blindagem seriam maiores.
PEC da Blindagem
A chamada PEC da blindagem deve ser votada ainda hoje na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Cláudio Cajado (PP-BA). A proposta prevê ainda que prisão em flagrante poderá acontecer apenas em casos de crimes inafiançáveis. Após a prisão, os plenários da Câmara e do Senado também precisam analisar o caso em até 24 horas. As votações para autorização ou não de inquéritos contra parlamentares seriam secretas.
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