Dinheiro gasto pela Petrobras em Pasadena foi ainda maior

  • Por Jovem Pan
  • 21/03/2014 11h33

Reinaldo, parece que desta vez o bicho pegou com a história da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Você tem alguma novidade a respeito?

Tenho sim, a principal é que a dinheirama gasta pela Petrobras foi, acreditem, ainda maior. Há outro espeto de US$ 200 , já explico.

Em primeiro lugar, cumpre notar que estamos diante de um fogo amigo nada amigável. Há uma luta explícita de petistas contra petistas. A presidente Dilma insiste na versão de que desconhecia o teor do contrato da Petrobras com a Astra, que obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria.

José Sérgio Gabriele, ex-presidente da Petrobras e um dos queridinhos de Lula, é bom notar, espalha o contrário. O preço pago pela Petrobras por 50% da refinaria também merece considerações. Como se sabe a Astra comprou a dita cuja em 2005 por 42,5 milhões de dólares e vendeu metade para a empresa brasileira um ano depois por 360 milhões de dólares.

Começo por esta questão. A informação passada aos conselheiros é que o preço se justificava por que os belgas teriam feito investimentos na refinaria e porque a empresa tinha um estoque de óleo cujo valor não estava computado naqueles 42,5 milhões de dólares. Assim, não haveria nada de errado com a compra inicial daquela primeira metade.

Lembra-se que quando Graça Foster, a presidente da Petrobras, tentou vender a refinaria encontrou um único comprador, que aceitou dar 180 milhões de dólares, bem menos que os 360 milhões de dólares que a Petrobras pagou por apenas metade. Mas bem mais que os 42,5 milhões de dólares pagos pelos belgas em 2005 pela refinaria inteira.

Outros conselheiros da Petrobras da época, como o empresário Jorge Verdal e o economista Cláudio Haddad, endossam a versão de Dilma. Segundo Haddad, que não tem nada a ver com o prefeito, quem fez a exposição de motivos e justificou a compra foi Nestor Serveró, que era então diretor da área internacional da Petrobras e é hoje diretor financeiro da BR Distribuidora, presidida por José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT.

Além daquele 1,18 bilhão de dólares que a Petrobras gastou para comprar uma refinaria que não funciona, a sede da empresa no Brasil fez uma transferência eletrônica para Pasadena de outros 200 milhões de dólares em 2008. Assim, caros ouvintes, a conta subiu para 1 bilhão 380 milhões de dólares.

Em algum arquivo deve estar o resumo executivo elaborado por Serveró. Se lá não constar a informação de que havia cláusula de compra obrigatória, então os conselheiros foram realmente levados no bico. Digamos que o preço pela primeira metade da empresa, considerados os investimentos dos belgas e o estoque de óleo, fosse razoável. Até esse ponto a atuação de Dilma poderia ser desculpável, mas e depois?

Em 2007, quando a Astra entrou na Justiça americana, a presidente do Conselho, Dilma Rousseff, já sabia de tudo. E seguiu sabendo em 2008 e 2009, fez o que? A derrota final na Justiça americana se deu em 2012. Foi no seu governo que a Petrobras teve de pagar 820,5 milhões de dólares pela outra metade da refinaria. E foi também no seu governo que Nestor Serveró, o que fez o resumo executivo que era considerado omisso, foi nomeado diretor financeiro da BR Distribuidora.

Podem até existir coisas para as quais haja explicação razoável. Mas há aquelas que são certamente indesculpáveis. E é fato, a empresa em que a Petrobras torrou 1,38 bilhão de dólares vale no mercado 180 milhões de dólares. Pode-se desculpar Dilma por aquilo que ela eventualmente não soubesse, mas não se pode desculpá-la por aquilo que não fez, mesmo quando já sabia de tudo.