Analfabetismo cai no Brasil, mas 11,5 milhões ainda não sabem ler ou escrever

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2018 12h49
Suami Dias/GOVBANúmero de pessoas frequentando aulas recuou de 153 mil, em 2016, para 118 mil no ano passado

O índice de analfabetismo caiu 7,2% em um ano no Brasil, mas 11,5 milhões de pessoas ainda não sabem ler. De acordo com o IBGE, o perfil é predominante: a maioria sem instrução tem 60 anos ou mais e mora na região Nordeste.

O dado pode ser explicado pelo déficit histórico de acesso à educação e verificado principalmente no meio rural. Os indicadores levantam dúvidas sobre a eficácia dos programas voltados para alfabetização de adultos.

O número de pessoas frequentando aulas recuou de 153 mil, em 2016, para 118 mil no ano passado. O professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Paulo Silvino, considera o recuo nos números insignificante: “Educação é um problema histórico e ao mesmo tempo estrutural. Portanto não é de hoje. Precisamos pensar de que modo essas políticas educacionais têm contribuído para a redução dos números. Já que na minha leitura são absolutamente pequenas”, declarou.

Segundo Silvino, uma massa de brasileiros ainda está excluída do processo.

Já o professor titular da Faculdade de Educação da USP – Ulisses Araújo – aponta que as estatísticas de analfabetismo são muito mais altas. “Dentro desse percentual, o IBGE ainda não está considerando o que se chama de analfabetismo funcional. Não é simplesmente a pessoa saber ler ou escrever, mas é interpretar textos e fazer contas básicas. Os dados são muito mais graves para o Brasil”, explicou Araújo, que diz lamentar o fato de a sala de aula nunca ter sido prioridade no Brasil.

De acordo com a professora da Faculdade de Educação da USP, Silvia Colello , um começo, para reverter o quadro, é investir nos professores. “Ainda temos problemas de formação e de verbas para pesquisas. Faltam condições para fazermos a diferença na educação. O que está sendo feito nem sempre está sendo bem feito”, ressaltou Silvia.

A docente acrescenta que ajustar as políticas de ensino para os bolsões de pobreza também é uma saída.

Com o lento progresso, o Brasil segue distante de atingir a meta oficial de erradicar o analfabetismo até 2024.

*Com informações de Thiago Uberreich