Cotas raciais ampliam presença de negros nas universidades

  • Por Jovem Pan
  • 19/08/2016 10h22
BIE - Banco de imagens externas - A Universidade de Brasília (UnB) é uma universidade federal pública brasileira, com sede na cidade de Brasília, no Distrito Federal. A instituição possui 4 campi, sendo estes nas cidades de Brasília, Planaltina, Gama, Ceilândia e Paranoá. Foi inaugurada em 21 de abril de 1962. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senadouniversidade de são paulo

Um relatório da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior indicou que as cotas raciais têm conseguido ampliar a presença de negros nas universidades.

De acordo com o estudo, a taxa de alunos autodeclarados pretos e pardos, que era de apenas 28%, em 2003, teve aumento expressivo, em uma década.

Os dados mais recentes, de 2014, apontam que 37% do total de vagas disponíveis nas faculdades foram preenchidas por estudantes negros.

A Lei de Cotas, sancionada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff, é apontada como o principal fator responsável pela mudança no cenário, mas não é o único.

A alteração no perfil do Enem, que ganhou caráter de vestibular a partir de 2009 e a adesão cada vez maior de instituições de ensino ao Sisu, o Sistema de Seleção Unificada, também contribuíram para o aumento da presença de negros nas faculdades.

Para o professor Paulo Márcio de Faria e Silva, um dos coordenadores da pesquisa da Andifes, os números mostram que o perfil do universitário hoje passa a ser cada vez mais coerente com o retrato da população brasileira.

“Em resumo, o estudo mostrou que o perfil do estudante da universidade federal brasileira está representando muito melhor a própria sociedade brasileira, e isso quebra aquela visão que a universidade pública brasileira é um local onde só a elite tinha oportunidade de estudar”, disse.

O professor Paulo Márcio de Faria e Silva acrescentou que a ampliação do acesso de negros às universidades deve fazer com que esta parcela da população também aumente a participação no mercado de trabalho.

De acordo com estimativas feitas pela Andifes, dois terços dos estudantes formados em universidades federais em 2014 tinham renda per capita de até um salário mínimo e meio.

Isso significa que dois a cada três alunos que conseguiram diploma nestas instituições foram alvos das políticas de assistência estudantil.

*Informações do repórter Victor Brown