Em meio a pandemia, livro ‘A Peste’ retorna aos best-sellers 73 anos depois
Com as orientações da Organização Mundial da Saúde de que as pessoas devem evitar sair de casa e permanecerem o mais distante possível de aglomerações, as dicas para quem já optou pela quarentena voluntária contra o coronavírus passam por filmes, séries e livros.
Agora, imagine uma metrópole em ebulição. Uma cidade grande, como São Paulo, e pessoas que correm de um lado para o outro preocupadas em fazer negócio. Esse é o cenário do livro A Peste, de Albert Camus — Prêmio Nobel de Literatura em 1947.
Nas últimas semanas, na Europa, em países como Itália e França, a venda dele quase dobrou. NO Brasil, a curva crescente de quem está procurando livros com a temática ligadas à epidemias também se evidenciou.
Essa é a percepção de Roberta Machado, vice-presidente do grupo editorial Record. “A venda desse livro sempre foi muito estável, sem muitos saltos. E agora nós notamos um aumento de 65% na procura dele. Se considerar só os lançamentos de ficção literária, ele está na 5ª posição. Então vemos que está tendo mesmo uma procura por ser uma história muito atual.”
O romance narra uma história em uma cidade na Argélia — tomada por uma epidemia que provoca inquietação e se alastra entre a população até que medidas extremas tem que ser tomadas, como o fechamento da cidade pela Prefeitura.
Mesmo que o livro sirva como alusão a diversas epidemias que já assolaram o mundo, o livro era uma alegoria sobre a Europa ocupada pelo nazismo. É o que diz o crítico estudioso da obra, Manuel da Costa Pinto. “Há muitos indícios ao longo da narrativa de que a epidemia que toma a cidade é uma alegoria da Europa e o nazismo. Muito inteligente, sem fazer nenhuma menção explícita ou marco histórico.”
Independente como possa ser lido, a verdade é que as vendas de A Peste aumentaram. Apenas na Amazon, sua venda já está esgotada. E, 73 anos após sua publicação, ele entra na lista de best-seller novamente.
*Com informações do repórter Gabriel Dias