Há 100 dias, mundo conhecia o novo coronavírus; pandemia já matou 88 mil pessoas

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2020 06h21 - Atualizado em 09/04/2020 08h22
Everaldo Silva/Estadão ConteúdoO diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus, comentou que é incrível refletir sobre como o mundo mudou de uma forma tão dramática

No dia 31 de dezembro de 2019 a Organização Mundial da Saúde foi notificada sobre casos de pneumonia com causas desconhecidas na cidade de Wuhan, na China.

No dia 3 de janeiro, eram 44 pacientes da doença misteriosa e muitos deles trabalhavam em um mercado de venda de animais e frutos do mar em Wuhan. Até então, nada indicava que a doença poderia ser transmitida entre humanos.

Esse foi o começo de uma pandemia que, cem dias depois, já infectou mais de 1,5 milhão de pessoas em 184 países, causou mais de 88 mil mortes, fechou fronteiras e colocou o mundo todo em pausa, com mais da metade da população mundial em casa, sob algum tipo de quarentena.

O diretor da OMS, a Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus comentou na quarta-feira (8) que é incrível refletir sobre como o mundo mudou de uma forma tão dramática em um período de tempo tão curto.

Ghebreyesus agradeceu o suporte financeiro dos Estados Unidos à organização, disse que o mundo está ficando cada vez menor e que o momento pede união e solidariedade. O diretor da OMS também destacou que não há necessidade de usar o coronavírus como uma ferramenta política, para fazer campanha.

Na quarta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a criticar a postura da Organização Mundial da Saúde em relação ao coronavírus. Trump disse que é a OMS que está politizando o coronavírus, insistindo na ideia de que a Organização teria uma relação próxima com a China.

Os Estados Unidos aplicaram as restrições de viagens da China no dia 31 de janeiro, oito dias depois de os chineses isolarem a cidade de Wuhan, com pouco mais de 11 milhões de habitantes, para evitar a disseminação do vírus.

O aeroporto de Wuhan reabriu nesta quarta-feira, e aos poucos a cidade começa a voltar ao normal, ainda com precauções e algumas exigências para que os moradores possam viajar.

Europa

Agora, é claro, são outros países que enfrentam situações difíceis. No final de fevereiro, a Itália começou a ver um aumento no número de casos de coronavírus.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, tentou primeiro aplicar a quarentena obrigatória apenas a uma região mais afetada da Itália; depois, estendeu a medida para todo o país. Já são mais de 139 mil casos na Itália, e a quarentena foi prorrogada até maio.

No Reino Unido, já foram mais de 61 mil casos confirmados. O primeiro-ministro, Boris Johnson, que está internado por causa do coronavírus, demorou para reconhecer a necessidade das medidas de distanciamento social.

No começo de março, ele continuava dizendo que a vida poderia continuar normalmente no Reino Unido. Boris Johnson só resolveu determinar a quarentena obrigatória no dia 23 de março, quatro dias antes de ser diagnosticado com o vírus.

Ainda na Europa, a Espanha é o segundo país com maior número de casos, mais de 140 mil, e pelo menos 14 mil mortes. A resposta das autoridades espanholas também demorou: o premiê espanhol Pedro Sanchéz só decretou a quarentena no dia 14 de março.

No mesmo dia, o governo espanhol anunciou que a esposa de Sanchéz foi diagnosticada com coronavírus.

EUA

Nos Estados Unidos, já são mais de 400 mil casos confirmados, e o país registrou 1973 mortes por causa do vírus em apenas 24 horas, entre as noites de terça e quarta-feira.

O estado de Nova York é o mais afetado, com o sistema de saúde operando no limite, hospitais de campanha e até mesmo um navio hospital para ajudar a cuidar de tantos pacientes.

Todos os dias, às 19 horas, os nova-iorquinos vão às janelas para bater palmas e homenagear os profissionais de saúde. Na quarta-feira, bombeiros pararam em frente a um hospital da cidade e começaram a bater palmas. Alguns profissionais também foram às ruas e participaram da homenagem.

Nesses cem dias de coronavírus, o mundo ganhou essa nova tradição: as palmas nas janelas, um agradecimento a todos os que estão na linha de frente do combate à pandemia, em meio à tanta incerteza, a tantos riscos.

*Com informações da repórter Mariana Janjácomo