‘Não tenho dúvida de que o presidente Bolsonaro será favorito no segundo turno’, afirma Ricardo Barros

Para o deputado federal, líder do governo na Câmara, principal desafio de 2022 será a economia, com a inflação como o assunto mais importante da campanha

  • Por Jovem Pan
  • 02/01/2022 12h21
Jefferson Rudy/Agência Senado Líder do governo, Ricardo Barros Líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros

Na manhã deste domingo, 2, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News. Ele falou sobre as reformas ‘emperradas’ no Congresso, as eleições presidenciais de 2022, a prorrogação da folha de pagamentos, a possibilidade de paralisação dos servidores federais e de reajuste salarial e outros temas. Barros afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) deverá se reeleger após o trabalho do ano para estabilizar a economia e reduzir a inflação. Ele disse ainda que a população precisa ser melhor informada sobre os casos de corrupção de governos passados. “Eu não tenho dúvidas que, no segundo turno, após este ano de trabalho, presidente Bolsonaro será favorito”, declarou.

Barros destacou a importância da pauta econômica em 2022. Para ele, controlar a inflação e os preços será o desafio de 2022 do governo e esse será o principal tema a ser discutido próximo ao pleito. “Com certeza a economia, a inflação, é o grande desafio do governo Bolsonaro para este ano de 2022. O controle dos preços é fundamental. E é nisse que o ministro Paulo Guedes deve se dedicar neste período. Nós já superamos vacina, o presidente Bolsonaro já disponibilizou vacina para todos os brasileiros. Eu acredito que o assunto é Covid-19 não será um assunto relevante, lá no final, quando estivermos na eleição, até porque o governo tomou as providências e colocou vacinas à disposição de todos. E o assunto vai ser de fato economia. Vamos ver se medidas possam ser tomadas. Embora a inflação seja um fenômeno mundial, em todos os países estamos com altos índices de inflação, porque durante a pandemia paralisou-se e na retomada faltam produtos e sobe o preço, mas isso não justifica para as pessoas, aqui, ele vai no supermercado e ele quer preço compatível com a renda. Este é o grande desafio. É isso que o presidente Bolsonaro deve se dedicar, agora, para poder vencer as eleições, já no segundo turno, com a expectativa de disputar com o ex-presidente Lula. Eu não tenho dúvidas que, no segundo turno, após este ano de trabalho presidente Bolsonaro será favorito”, declarou o deputado.

Ainda sobre as eleições, Barros disse que o presidente Bolsonaro comprou uma briga com a imprensa e que, por isso, não recebe a divulgação das suas ações. Por esse fato seria, segundo o deputado, ainda mais importante o presidente fazer acordos que lhe deem mais tempo no horário eleitoral gratuito de televisão. “O presidente precisa de uma boa aliança política, bom tempo de televisão durante o período eleitoral, no horário eleitoral gratuito, para mostrar aos brasileiros o que o seu governo fez e avançou para todos os interesses. No Nordeste, uma excelente obra de irrigação, não só a transposição, mas poços artesianos em grande quantidade. Tivemos um avanço fundamental na diminuição do custo Brasil, cabotagem, a navegação pela costa brasileira de cargas internas, e também ferrovias, muitos milhares de quilômetros que estão autorizados e que vão reduzir o custo Brasil. E assim dei uma série de outras medidas que o presidente Bolsonaro tomou de forma corajosa, enfrentando grandes interesses para o bem da maioria do povo brasileiro. O grande privilégio que o Brasil teve de ter Bolsonaro presidente é que ele é disruptivo. Ele conseguiu rompeu vários lobbies que há muitos anos escravizavam o país e que, agora, estão vendo seus interesses serem preteridos em função do interesse de todos os brasileiros. E assim que nós queremos continuar, fazendo ações que privilegiam a todos em detrimento de alguns grupos que sempre ganharam muito dinheiro”, pontuou.

Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, Barros destacou que não há nenhum compromisso firmado por Bolsonaro até o momento, nem de ser do PP, como é comentado nos bastidores, e que a decisão deverá ser tomada mais para frente. “Vice sempre é a última coisa que se decidir numa campanha, porque depende do conjunto dos seus adversários, o vice pode ser de um Estado onde o seu adversário principal esteja muito forte, pode ser uma mulher, pode ser um negro, pode ser um nordestino, pode ser uma possibilidade para completar a chapa de modo a ganhar espaço num determinado público e neutralizar o adversário nesse mesmo público. Eu acredito que o presidente Bolsonaro saberá escolher o seu vice, que é da sua autonomia. Não lhe será indicado o nome e ele poderá escolher alguém filiado a partidos, mas da sua própria escolha e do seu agrado. O vice Mourão tem sido muito correto com o presidente em todos os seus afastamentos e é preciso que o presidente tenha tranquilidade, que coopera quando chamado”, pontuou.

Em seu sexto mandato como deputado, Barros falou ainda das mudanças que vê no Congresso e nas instâncias governamentais desde o início do governo Bolsonaro. “O presidente Bolsonaro criou em cada ministério uma diretoria de integridade, que é liderada por um controlador geral da União de carreira. E tudo passa por essa diretoria de integridade, os contratos, as licitações e as entregas de produtos. Então, por isso é que a CPI da Covid ficou seis meses investigando o governo Bolsonaro e não tem uma linha no relatório sobre corrupção. Não se provou um real de corrupção no governo Bolsonaro. Esta sim é uma grande alavanca política para a eleição deste ano no seu segundo turno, quando o presidente vai poder apresentar, emitido pela CPI da Covid, um atestado de honestidade, de integridade do seu governo”, disse.

Diante das pesquisas eleitorais que aponta o ex-presidente Lula (PT) como vencedor das eleições, Barros disse que os brasileiros estão mal informados e que precisam mais sobre toda a corrupção que aconteceu em governos passados. Para ele, a operação Lava Jato teve efeito contrário, ao final, colocando Lula como inocente e injustiçado. “Infelizmente, a Lava Jato, por abusos ocorridos, acabou criando esse ambiente de que Lula foi injustiçado, que as suas condenações foram anuladas e de fato foram. Nós precisamos agora é que a população tenha mais informações, para entender com clareza o quadro que se apresenta. Eu não tenho dúvida que o ativismo da Lava Jato foi fundamental eé o essencial instrumento para esta confusão política estar estabelecida no Brasil hoje. Por conta de uma busca de ser justiceiro e não de fazer justiça. Nós fomos vítimas de um ativismo político do judiciário, que continua, aliás, o judiciário continua assumindo prerrogativas que são exclusivas do Executivo e exclusivas do Legislativo. As pessoas estão precisando ser esclarecidas do que de fato aconteceu. Eu não tenho dúvidas de que este assunto será um assunto relevante na campanha eleitoral e que, durante o período eleitoral, as coisas poderão se esclarecer. O que foi uma ação efetiva de combate à corrupção e o que foi uma cena para tornar todos os políticos, na opinião pública, carimbados como pessoas desonestas. Para que o status quo do Brasil fosse destituído para que os promotores e juízes viessem a ocupar o nosso lugar. E está aí a candidatura do Deltan, a candidatura do Moro, está aí a candidatura do Janot, para provar que isso era o plano. Eles estabeleceram o seu plano e implementa ao seu plano. Vamos ver como a população reage”, finalizou.

Barros pontuou ainda que as reformas aguardadas não deverão prosperar em 2022 por causa do cenário eleitoral. “Este ano eleitoral o ambiente para reformas não é favorável, nós tivemos na votação da PEC dos Precatórios uma visão clara disso. O Podemos e o PDT votaram a favor do texto do Auxílio Brasil no primeiro turno e votaram contra no segundo turno, porque os seus presidenciáveis acharam que Auxílio Brasil poderia favorecer o presidente Bolsonaro. No ano de eleição, o posicionamento dos partidos está mais voltado para o interesse dos seus candidatos e não para o interesse do Brasil, lamentavelmente. Então eu não tenho expectativas de avançarmos. O presidente Bolsonaro votou a reforma previdenciária, que é das mais importantes que nós temos. E votará nos seu segundo mandato as próximas reformas, com certeza. Este ano não me parece adequado para a discussão de reformas, porque precisamos de três quintos dos 308 votos da Câmara e dois turnos para passar as matérias. E a eleição vai influenciar o posiciona dos partidos”, afirmou o deputado

E continuou: “Nós temos que entender que há um processo eleitoral em andamento e isso tem suas consequências e todos responderão por esses posicionamentos perante o eleitor na campanha e na urna. O presidente Bolsonaro enfrentou dois anos de pandemia, nesses dois anos de pandemia que, de fato, atrapalharam a aprovação das reformas, nós tivemos o Congresso praticamente um ano paralisado, mas ainda assim muitas coisas avançaram, a desoneração da folha foi sancionada, nós tivemos a parte de regularização ambiental, licenciamento ambiental, regularização fundiária, nós temos defensivos agrícolas que são muito importantes para o Brasil aumentar sua produtividade. Nós temos muitas matérias relevantes que ainda queremos votar, a Câmara já votou, mandou para o Senado. E nós esperamos poder votar ainda este ano, até o mês de abril, meio, quando as eleições começam realmente a esquentar”.

Sobre a possibilidade de paralisação e greve geral dos servidores públicos federais, que pedem reajuste salarial e já tiveram perda de 40% real, diante da inflação, o líder do governo foi claro ao dizer que não há possibilidade de negociação com a categoria. “Não há possibilidade de negociação, o orçamento já está votado, não há espaço fiscal e nem recursos para aumento de todos os servidores. O que há é uma reação contra o aumento que foi viabilizado para os policiais, com R$ 1,7 bilhão previsto no orçamento. Então, o governo federal agora vai ter que fazer uma avaliação de como conduzir esse processo. O fato é que nós realmente não temos recursos para dar aumento linear para todos os servidores públicos neste orçamento de 2022, que aliás já foi aprovado”, disse.