Bruno Motta fala da diferença entre humor brasileiro e norte-americano

  • Por Jovem Pan
  • 03/02/2015 10h57
Amanda Garcia/Jovem Pan

Em cartaz na peça 1 milhão de anos em 1 hora, Bruno Motta contou como fez para trazer a produção da Broadway para o Brasil. Ele descreve que em férias em Nova York viu a peça Long Story Short, e gostou tanto que voltou outras duas vezes para conferir novamente. Conversou com o comediante que conduzia a produção e decidiu fazer a versão brasileira. “Conto a história do mundo e tem até a ideia de que dá para rir de tudo, até da guerra”, diz.

Segundo ele, foi necessário adaptar alguns blocos da peça para o humor brasileiro. “A dificuldade é mudar o olhar do americano para o brasileiro. O americano é hipócrita, gosta de falar de si mesmo. O brasileiro gosta de outro tipo de piada. Os americanos olham o mundo de cima. Já o brasileiro nunca olhou o mundo de cima. A gente teve que mudar o ângulo”, comparou ele.

Na versão norte-americana, um dos blocos fala apenas do Canadá, que é visto como “fofinho” pelos estadunidenses. “A gente gosta de falar sobre a Argentina, mas não daria certo trocar os países na peça porque a história é diferente”, exemplifica.

O comediante conta que para trazer o projeto para o Brasil foi necessário seguir uma série de condições da Broadway, assim como pedir aprovação para vários itens, como o logotipo, cenário e tratamento.

Bruno relembra a época em que conviveu com Chico Anysio. Eles se conheceram em um festival de humor, e juntos fizeram vários shows. “Ele era um excelente contador de histórias”, elogiou.

Ele comentou a fama que os comediantes têm de serem mau-humorados na vida pessoal. Ele rebateu esta ideia, dizendo que os humoristas que conhece não passam por isso. Bruno acredita, porém, nos altos e baixos de se estar em um palco. “Tem um choque de realidade, você está no palco, todo mundo rindo, tem hormônios que te deixam feliz. Você vai para o camarim, está sozinho. Talvez tenha uma montanha-russa”, diz.

Outro grande feito de Bruno foi entrar no Livro Guinness dos Recordes por contar piadas continuamente pelo maior número de horas. Ele passou 38 horas e 12 minutos contando piadas. “Tinha uma pausa de 15 minutos a cada oito horas, para ir ao banheiro. O que a gente não sabia era que não dá pra ficar oito horas sem fazer xixi. Tinha um sofá e atrás do sofá tinha um recipiente para mim, ninguém percebia”, relembrou ele entre risadas.

Bruno conta que as piadas poderiam ser repetidas depois de seis horas, e que um público mínimo de 50 pessoas tinha que rir pelo menos a cada 60 segundos. Ele também não poderia passar mais de 30 segundos sem falar a não ser nos intervalos.

Serviço:
1 milhão de anos em uma hora
De 9 de Janeiro a 21 de Fevereiro
Sextas e Sábados 21h30
Domingos 19h
Ingressos R$50, Meia para estudantes R$ 25