Existe racismo no Brasil? Especialistas divergem em debate com a bancada

  • Por Jovem Pan
  • 19/08/2019 12h26
Jovem PanConvidados do Morning Show desta segunda-feira (19) debateram sobre tema com bancada

O Morning Show desta segunda-feira (19) recebeu o professor de filosofia e sociologia Paulo Cruz e o roteirista Alê Santos, também colunista da Vice. Cruz ministra o curso “O Brasil é um país racista?” e, com base nessa questão, os dois debateram com a bancada do programa sobre o assunto.

Santos, que é popular no Twitter por abordar o assunto com os usuários, é categórico em afirmar que sim, o Brasil é um país racista.

“Não sou eu quem diz isso, é a ONU e a Unesco. Para a definição do que podemos enxergar como racismo, gosto de evocar a do professor doutor Kabengele Munanga, que fala que a dinâmica racial é muito complexa, onde a ponta do iceberg são as nossas expressões e coisas que acontecem individualmente e a profundidade do iceberg é o preconceito invisível, que fica em nosso inconsciente e é consequência disso”, explicou.

Segundo Alê Santos, estatísticas do país mostram que as dinâmicas sociais são distantes para brancos e negros, por isso, é inegável a existência de racismo no Brasil.

Já Paulo Cruz discorda e, segundo ele, a culpa é justamente da consideração de estatísticas. “Criou-se no Brasil essa divisão racial através da estatística. Temos a maioria negra no país, no qual 46% são mestiços ou pardos e 12% são pretos. Mas falamos disso a partir da autodeclaração, isso já é de uma complexidade pois vamos contar com o que a pessoa diz de si própria”, disse.

“O Brasil é um país muito ruim para quem é pobre e muito bom para quem é rico. Como os negros estão na camada mais pobre da sociedade é claro que serão mais prejudicados. Mas eu não acho que se trata de uma questão racial, o problema do racismo no Brasil é diferente do problema econômico. Quando tratamos o racismo como consequência econômica, saímos da discussão”, falou Cruz.

Em sua visão, o Brasil não é um país racista, embora exista racismo no país. Para o professor, o que predomina mais é uma cultura de inferiorização do negro por conta de nossas raízes históricas. Cotas raciais e idealização de figuras históricas, como Zumbi Palmares, são parte do problema e que não ajudam a focar na questão econômica do negro na sociedade.

Entre outros tópicos, os convidados também falaram sobre o racismo estruturado. Alê Santos definiu o termo como estruturas históricas que empurram ou mantém os negros na pobreza. Por isso, ele disse que expressões racistas ditas como piadas não se encaixam na definição de racismo estrutural.

“O racismo não é algo que estamos discutindo há dois ou três anos, mas sim desde a abolição da escravidão se discute o tema de maneira séria”, disse Santos.