Diretores querem acabar com mitos sobre autismo: "as pessoas se assustam"

  • Por Jovem Pan
  • 01/06/2018 12h16
Bruno Lima/ Jovem Pan
Até agora não existia sequer um documentário brasileiro que falasse sobre autismo no país. Mas os cineastas Flávio Frederico e Mariana Pamplona mudaram essa realidade. Eles fizeram a obra “Em um mundo interior”, que está em cartaz atualmente e tenta acabar com mitos sobre a doença, relatando a história de 7 crianças.

“As pessoas não sabem do que se trata o autismo e às vezes se assustam. Autistas têm estereotipias e por isso as pessoas se assustam e se afastam, em vez de tentar entender e se aproximar com informação”, comentou Mariana.
Flávio comentou sobre os julgamentos que essas pessoas sem informação acabam fazendo: “às vocês alguém vê uma criança se comportando mal, olha para o pai e pensa ‘menino mal educado’. Mas se você perceber o que é, tem que se relacionar de outra forma. Não tem uma bula do que fazer, mas parte do respeito e da paciência”.

Mariana também falou de outro mito que existe no imaginário popular: “existem mitos de que eles são gênios ou de que eles são frios. Mas cada um é cada um”. Flávio destacou uma característica especial das crianças que eles retrataram no documentário: “eles não mentem. Isso é maravilhoso. Eles não entendem o sentido figurado, que pode ter sentido poético, mas também tem sarcasmo”.

Mas os diretores revelaram que também tiveram um cuidado especial para não deixar o documentário emocionante demais: “a gente não queria arrancar lágrimas. A gente queria que as pessoas convivessem e vissem que não é um bicho de 7 cabeças. Dá para inserir os autistas na sociedade, é só ter paciência”, concluiu Mariana. 

Para se aproximar dos autistas, os diretores tentaram ficar bem próximos fisicamente de cada um. Eles escolheram casos bem diferentes, de graus leves até mais graves, e foram até as casas das pessoas. Mas não foi fácil: “a gente tentou conhecer as famílias antes. Fomos na casa, criamos uma relação e levamos uma equipe pequena para não incomodar e ser uma coisa natural. A gente tem pais e terapeutas no documentário, mas queria estar do lado deles. A gente queria ser recebido. Foi difícil montar o casting. Quando uma família hesitava, a gente já desistia”.

Os diretores também comentaram sobre o tratamento dado para crianças autistas no Brasil. Mariana contou que é algo caro e poucas pessoas têm acesso a uma terapia completa. O tratamento fornecido pelo Estado tem limitações: “no Estado precisa melhorar muito porque é muito pouco. Nas escolas também. Existe uma lei de inclusão, mas na prática essa lei nem sempre acontece. A escola vem com desculpas, mas ir para escola é muito importante para o autista e para os amigos”, concluiu.